Turim, 2007. Imagine-se no centro do universo. Para um jovem de 20 anos, vestir a camisa da Juventus não é apenas um emprego; é um destino. Davide Lanzafame não era apenas mais um na base. Ele era "O" nome. Treze anos de sua vida foram dedicados àquele escudo. Treze anos crescendo ao lado de homens que o mundo chama de deuses, mas que ele chamava de colegas.

No prestigiado Torneio de Viareggio, o palco onde as lendas nascem, Lanzafame destruiu. Sete gols. Muitos saindo do banco, como um raio que ninguém conseguia conter. Naquele momento, ele olhava para o horizonte e via o sucesso. Ele "pensava grande", como ele mesmo admite hoje, aos 38 anos. Ele acumulou 10 presenças no time principal da Juve. O mundo estava aos seus pés. Mas o que ninguém sabia é que, enquanto ele brilhava sob os holofotes de Turim, uma tempestade silenciosa começava a se formar no sul da Itália.

A transferência para o Bari deveria ser o degrau para o estrelato definitivo. Mas transformou-se em um labirinto moral. Entre 2007 e 2009, na Série B, o futebol deixou de ser sobre tática e passou a ser sobre sobrevivência. É aqui que o nosso roteiro mergulha na escuridão. Agosto de 2012: a Procuradoria de Bari bate à porta. A acusação? Fraude esportiva.

Lanzafame abre o livro de memórias e o que lemos é um alerta para todo jovem atleta. As derrotas contra o Treviso e a Salernitana não foram falhas técnicas. Foram combinadas. Mas ouça o peso das palavras dele: "Em certos contextos, se alguém do vestiário te diz como deve jogar, você não consegue dizer não". O peso dos "senadores". A pressão invisível de quem manda no grupo. Lanzafame tinha 20 anos. Ele assume a responsabilidade, coloca a cara à frente do escândalo, mas revela a engrenagem cruel que mói promessas: a incapacidade de um jovem de enfrentar o sistema corrupto dos veteranos. O preço? Treze meses de suspensão. A morte social de um craque.

Mas antes da queda definitiva, houve o caos. E este capítulo parece saído de um filme de ficção. Seleção Italiana Sub-21. No elenco, três nomes que fariam tremer qualquer defesa: Giovinco, Balotelli e ele, Lanzafame. Na véspera de um jogo decisivo contra Israel, o trio decide que o hotel é pequeno demais para suas ambições noturnas. Eles escapam. Fugindo pelas sombras de Tel Aviv para rir, fazer brincadeiras e esquecer a pressão.

Eles foram pegos. Pierluigi Casiraghi e Gianfranco Zola estavam esperando. A "bronca" foi lendária. Mas o ultimato foi pior: "Se vocês não vencerem amanhã, o mundo saberá o que fizeram hoje". A carreira deles estava por um fio. O resultado sob pressão extrema? Uma vitória de 3 a 1. Balotelli marcou dois, e Lanzafame? Deu a assistência decisiva. Eles sobreviveram por um triz, mas o destino de Davide já estava selado pelas investigações que viriam anos depois.

2013. A Itália havia fechado as portas. Para a maioria, Davide Lanzafame era um "paria". Foi então que surgiu um convite improvável. Marco Rossi liga da Hungria. O destino: Honvéd. "Me chamaram de louco", lembra Davide. Partir com a esposa para o desconhecido foi o ato de coragem que salvou sua alma. Em Budapeste, ele não era o "menino do esquema de apostas"; ele era o artista.

Em cinco anos, ele conquistou o que muitos não conquistam em uma vida. Dois títulos da liga, uma copa nacional, duas vezes o maior goleador do país. Ele renasceu. A Hungria deu a ele o perdão que a Itália lhe negou. Hoje, aos 38 anos, o cenário é outro. O banco de reservas é do Autovip San Mauro, na categoria Promozione. Ele não busca mais os milhões da Champions, mas sim a integridade do ensinamento.

Davide Lanzafame viveu três vidas em uma só. A promessa, o condenado e o ídolo. Seu relato à La Gazzetta dello Sport não é um pedido de desculpas, mas um testamento de que a força de vontade é a única coisa que ninguém pode tirar de você. Ele pagou por seus erros, assumiu suas manchas e, no fim, encontrou a paz onde ninguém esperava.

"Eu assumi minhas responsabilidades. Eu paguei."


Torino, 2007. Immaginate di essere al centro dell'universo. Per un giovane di vent'anni, indossare la maglia della Juventus non è solo un lavoro; è un destino. Davide Lanzafame non era uno qualunque nelle giovanili. Era "Il" nome. Tredici anni della sua vita dedicati a quello scudetto. Tredici anni crescendo accanto a uomini che il mondo chiama dei, ma che lui chiamava colleghi.

Al prestigioso Torneo di Viareggio, il palcoscenico dove nascono le leggende, Lanzafame ha dominato. Sette gol. Molti entrando dalla panchina, come un fulmine che nessuno riusciva a contenere. In quel momento, guardava l'orizzonte e vedeva il successo. "Pensava in grande", come ammette lui stesso oggi a 38 anni. Dieci presenze con la prima squadra della Juve. Il mondo era ai suoi piedi. Ma ciò che nessuno sapeva è che, mentre brillava a Torino, una tempesta silenziosa stava iniziando a formarsi nel sud Italia.

Il trasferimento al Bari doveva essere il gradino verso il successo definitivo. Invece si è trasformato in un labirinto morale. Tra il 2007 e il 2009, in Serie B, il calcio ha smesso di essere tattica ed è diventato sopravvivenza. È qui che il nostro racconto scende nell'oscurità. Agosto 2012: la Procura di Bari bussa alla porta. L'accusa? Frode sportiva.

Lanzafame apre il libro dei ricordi e ciò che leggiamo è un monito per ogni giovane atleta. Le sconfitte contro Treviso e Salernitana non sono stati errori tecnici. Erano combine. Ma ascoltate il peso delle sue parole: "In certi contesti, se qualcuno dello spogliatoio ti dice come devi giocare, non riesci a dire di no". Il peso dei "senatori". La pressione invisibile di chi comanda il gruppo. Lanzafame aveva 20 anni. Si assume la responsabilità, mette la faccia davanti allo scandalo, ma rivela l'ingranaggio crudele: l'incapacità di un giovane di affrontare il sistema corrotto dei veterani. Il prezzo? Tredici mesi di squalifica. La morte sociale di un talento.

Ma prima della caduta definitiva, c'è stato il caos. Un capitolo da film. Nazionale Under 21. In rosa, tre nomi che farebbero tremare chiunque: Giovinco, Balotelli e lui, Lanzafame. Alla vigilia di una sfida decisiva contro Israele, il trio decide che l'hotel è troppo stretto. Scappano. Fuggono tra le ombre di Tel Aviv per ridere, scherzare e dimenticare la pressione.

Vengono scoperti. Casiraghi e Zola li aspettano. La ramanzina è leggendaria. Ma l'ultimatum è peggio: "Se non vincete domani, dirò tutto ai giornali". La loro carriera era appesa a un filo. Risultato? Vittoria per 3-1. Balotelli fa doppietta, Lanzafame fa l'assist. Sopravvissuti per un pelo, ma il destino di Davide era già segnato dalle indagini che sarebbero arrivate anni dopo.

2013. L'Italia aveva chiuso le porte. Per molti, Lanzafame era un paria. Poi, l'invito imprevisto. Marco Rossi chiama dall'Ungheria. Destinazione: Honvéd. "Mi davano del pazzo", ricorda Davide. Partire con la moglie verso l'ignoto è stato l'atto di coraggio che gli ha salvato l'anima. A Budapest non era "quello delle scommesse", era l'artista.

In cinque anni ha vinto tutto. Due scudetti, una coppa nazionale, due titoli di capocannoniere. È rinato. L'Ungheria gli ha dato il perdono che l'Italia gli ha negato. Oggi, a 38 anni, siede sulla panchina dell'Autovip San Mauro, in Promozione. Non cerca più i milioni, ma l'integrità dell'insegnamento.

Davide Lanzafame ha vissuto tre vite. La promessa, il condannato e l'idolo. Il suo racconto alla Gazzetta non è una scusa, ma una testimonianza: la forza d'animo è l'unica cosa che nessuno può toglierti. Ha pagato, ha ammesso e, alla fine, ha trovato la pace dove nessuno la cercava.

"Mi sono assunto le mie responsabilità. Ho pagato."