Hércules Meneses: FIGC à deriva: saída de Gravina paralisa reformas vitais do futebol italiano.                                                                       

FIGC à deriva: saída de Gravina paralisa reformas vitais do futebol italiano.

 



A trajetória de Gabriele Gravina à frente da Federação Italiana de Futebol (FIGC) é um retrato fiel das contradições que marcam o esporte no país. Ao anunciar sua renúncia, ainda que permaneça temporariamente no cargo para assegurar a administração ordinária, Gravina abre espaço para um desabafo acumulado ao longo de anos de gestão. O dirigente, que viveu o auge com a conquista da Eurocopa de 2021, também carregou o peso da maior decepção recente: a ausência da Itália na próxima Copa do Mundo.

Gravina não se limita a reconhecer erros internos da Federação. Seu discurso aponta para um problema mais profundo: a falta de apoio político e institucional ao futebol italiano. Ele acusa a hipocrisia de autoridades que, após a derrota nos pênaltis em Zenica, exigiram sua saída sem oferecer soluções concretas. Para o ex-presidente, o futebol não pode ser tratado como uma empresa qualquer, mas sim como um patrimônio cultural e social que exige políticas específicas.

Um dos pontos centrais levantados por Gravina é a questão da obrigatoriedade de jogadores italianos em campo. Embora muitos clamem por medidas que privilegiem atletas nacionais, a legislação europeia sobre livre circulação de trabalhadores impede qualquer restrição desse tipo. O caso Diarra, julgado recentemente pela Corte de Justiça Europeia, reforça a rigidez das normas e mostra que não há espaço para exceções. Gravina denuncia que políticos italianos conhecem essas regras, mas preferem ignorá-las, alimentando expectativas irrealistas junto à opinião pública.

Outro tema que desperta sua indignação é a situação dos estádios. Gravina lembra que o Comitê interinstitucional para a organização da Euro 2032, criado há três anos, praticamente desapareceu. A nomeação do comissário extraordinário Massimo Sessa ocorreu apenas em setembro de 2025, e sua atuação efetiva começou meses depois. Para o dirigente, esse atraso compromete a preparação da Itália para sediar uma competição de tamanha relevância.

A questão financeira também ocupa espaço em sua crítica. Gravina afirma que os recursos prometidos pelo governo para a Euro 2032 ainda não chegaram à Federação, apesar das garantias do Ministério da Economia e Finanças. Além disso, denuncia que o excedente das taxas pagas pelos clubes não foi redistribuído às federações esportivas, mas destinado a outros eventos, como os Jogos do Mediterrâneo e as Olimpíadas de Milão-Cortina.

No campo das reformas, Gravina lamenta que todas as propostas da FIGC tenham sido ignoradas. Entre elas, destaca-se o fim do chamado “vincolo sportivo”, que permitia às equipes manter jovens talentos sob contrato. Com a abolição da regra, os clubes ficam receosos de investir na base, já que podem perder jogadores sem compensação financeira. O impacto nos setores juvenis é evidente, mas não houve sensibilidade política para atender ao pedido da Federação.

Outro ponto recorrente em suas reivindicações é o “diritto alla scommessa”, que prevê a destinação de parte da arrecadação das apostas esportivas às entidades organizadoras. Em países como Portugal, esse percentual chega a 3%. Na Itália, a adoção de apenas 1% representaria entre 150 e 200 milhões de euros, recursos que poderiam ser aplicados em projetos de base e infraestrutura. Gravina também defende a extensão do Tax Credit, que revitalizou o cinema, para iniciativas esportivas, e o retorno do decreto Crescita, responsável por atrair estrelas como Lukaku e Mourinho ao futebol italiano.

Por fim, o dirigente cita o decreto Dignità, que proibiu patrocínios de casas de apostas, como outro entrave ao financiamento do esporte. Para ele, a soma de todas essas medidas negligenciadas revela um cenário em que o futebol é constantemente cobrado, mas raramente apoiado. Gravina promete divulgar sua longa relação de críticas e propostas em canais alternativos, já que sua audiência na Câmara foi cancelada após a renúncia.

Gravina deixa claro que o fracasso da Itália não é apenas resultado de escolhas da FIGC, mas de um sistema político que não reconhece a especificidade do esporte. Entre glórias e frustrações, sua presidência se encerra com um alerta: sem reformas estruturais e sem apoio institucional, o futebol italiano corre o risco de perder relevância internacional e de comprometer seu futuro.


Com a renúncia de Gabriele Gravina à presidência da federação italiana e a eleição marcada para 22 de junho, os bastidores do futebol italiano entram em ebulição. A Liga da Serie A decidiu antecipar movimentos e reunirá os clubes em 13 de abril para alinhar estratégias e discutir possíveis caminhos.

Embora ainda não exista uma lista oficial de candidatos, o presidente Ezio Maria Simonelli indicou que a ideia de um ex-jogador no comando agrada aos clubes. Nesse cenário, surge com força o nome de Demetrio Albertini, que já disputou o cargo anteriormente. Paralelamente, outras lendas como Paolo Maldini e Alessandro Del Piero começam a ser ventiladas, ainda que suas experiências fora de campo levantem dúvidas.

Por outro lado, um nome mais consensual ganha destaque: Giovanni Malagò, dirigente experiente e impulsionado pelo sucesso organizacional de grandes eventos esportivos recentes. Apesar das movimentações, a Liga prefere manter discrição para não comprometer possíveis candidatos. O objetivo é claro: até 13 de maio, prazo final para inscrições, encontrar uma figura capaz de unir os 20 clubes e recolocar a Serie A no centro do protagonismo do futebol italiano.


A despedida de Gabriele Gravina da presidência da FIGC interrompeu, como um apito final inesperado, o cronograma de reformas que tentavam modernizar o Calcio. Dois pilares fundamentais agora estão "na geladeira" até as eleições de 22 de junho: a reestruturação das categorias de base e a profissionalização dos árbitros.

No setor juvenil, a ideia era priorizar o desenvolvimento técnico em crianças de 5 a 12 anos, deixando a tática de lado para formar jogadores mais habilidosos — um projeto pensado para curar as feridas da seleção italiana após as ausências em Copas. Contudo, essa estratégia pode ser alterada ou descartada pelo novo "camisa 10" da federação, tornando-se uma peça central na campanha eleitoral que começa em maio.

No campo da arbitragem, o cenário é ainda mais espinhoso. Gravina planejava tirar os juízes do controle da AIA e colocá-los sob o guarda-chuva de uma empresa gerida pela FIGC, com contratos profissionais e um orçamento de 20 milhões de euros. Entretanto, a resistência da associação de árbitros, somada à suspensão do seu presidente Antonio Zappi por irregularidades, criou um vácuo de poder. Sem liderança definida em várias instâncias, o futebol italiano corre o contra-ataque do tempo, vendo suas reformas fundamentais serem adiadas enquanto aguarda um novo comando.




La parabola di Gabriele Gravina alla guida della FIGC è segnata da contrasti forti: da un lato l’apoteosi di Wembley, con la vittoria agli Europei del 2021, dall’altro la ferita ancora aperta della mancata qualificazione ai Mondiali. Con le dimissioni, pur mantenendo l’incarico per l’ordinaria amministrazione, Gravina decide di togliersi i proverbiali sassolini dalle scarpe e di raccontare le difficoltà vissute in questi anni.

Il suo obiettivo è chiaro: dimostrare che molte delle scelte contestate non dipendono esclusivamente dalla Federazione, ma da un sistema politico che ha ignorato le esigenze del calcio. Gravina parla di ipocrisia, quella che si è manifestata subito dopo la sconfitta di Zenica, quando politici e opinionisti hanno chiesto la sua testa senza proporre soluzioni concrete.

Uno dei temi più delicati riguarda l’obbligo di schierare giocatori italiani. Gravina ricorda che esiste una direttiva europea sulla libera circolazione dei lavoratori che impedisce di fissare quote nazionali. Il recente caso Diarra conferma la rigidità della Corte di Giustizia Europea e rende impossibile qualsiasi deroga. Per Gravina, la politica italiana conosce bene queste regole, ma preferisce ignorarle, alimentando illusioni tra i tifosi.

Il capitolo impianti è un altro nervo scoperto. Gravina denuncia il ritardo nella nomina del commissario straordinario per EURO 2032 e l’inattività del comitato interistituzionale creato tre anni fa. Secondo lui, la mancanza di programmazione rischia di compromettere la credibilità internazionale dell’Italia come paese ospitante.

Sul fronte economico, Gravina lamenta di non aver ricevuto i fondi promessi dal governo per l’organizzazione dell’Europeo. Il MEF assicura che le risorse sono stanziate, ma la FIGC non ha visto nulla. Inoltre, il surplus delle tasse pagate dai club non è stato redistribuito alle federazioni, bensì destinato ad altri eventi sportivi.

Le riforme richieste dalla Federazione sono rimaste lettera morta. L’abolizione del vincolo sportivo ha scoraggiato gli investimenti nei settori giovanili, perché i club temono di perdere i propri talenti a costo zero. Gravina sottolinea che senza un intervento politico il vivaio italiano rischia di impoverirsi ulteriormente.

Il “diritto alla scommessa” è un’altra battaglia persa. In Europa la media è tra l’1 e l’1,5%, in Portogallo addirittura il 3%. In Italia, l’introduzione di una quota minima avrebbe garantito centinaia di milioni da reinvestire nella base e nell’impiantistica. Gravina cita anche il Tax Credit, che ha rilanciato il cinema, come modello da applicare allo sport, e il decreto Crescita, che aveva permesso l’arrivo di campioni internazionali.

Infine, il decreto Dignità sulle sponsorizzazioni delle agenzie di scommesse ha privato il calcio di una fonte importante di finanziamento. Gravina sostiene che la somma di queste mancate riforme dimostra come il calcio sia stato lasciato solo, costretto a rispondere alle critiche senza ricevere strumenti concreti per crescere.

La relazione che Gravina stava preparando per la Camera verrà diffusa attraverso altri canali. In essa, il dirigente elenca tutte le criticità e propone soluzioni, ribadendo che il calcio italiano non può essere trattato come una semplice azienda. Senza un riconoscimento della sua specificità e senza un sostegno politico reale, il rischio è quello di un declino irreversibile.


Dopo le dimissioni di Gabriele Gravina e con le elezioni fissate al 22 giugno, il calcio italiano vive una fase di grande fermento. La Lega Serie A ha deciso di muoversi in anticipo, convocando un’assemblea il 13 aprile per confrontarsi e iniziare a delineare possibili scenari.

Al momento non ci sono candidature ufficiali, ma il presidente Ezio Maria Simonelli ha lasciato intendere che l’idea di affidare la guida della federazione a un ex calciatore sia ben vista. In questo contesto, torna in auge il nome di Demetrio Albertini, già candidato in passato. Intanto, si fanno strada anche suggestioni legate a icone come Paolo Maldini e Alessandro Del Piero, sebbene le loro esperienze dirigenziali siano limitate o assenti.

Il profilo che sembra raccogliere maggiore consenso è però quello di Giovanni Malagò, dirigente di comprovata esperienza e forte dei recenti successi organizzativi. La Lega, tuttavia, preferisce non esporsi troppo per evitare di compromettere le candidature. L’obiettivo è arrivare al 13 maggio, termine ultimo per la presentazione, con un nome capace di unire i 20 club e rilanciare il ruolo centrale della Serie A nel panorama calcistico italiano.



L’uscita di scena di Gabriele Gravina ha messo ufficialmente il "freno a mano" al processo di rinnovamento della FIGC. Le riforme programmate, da quella del settore giovanile a quella strutturale del comparto arbitrale, sono ora in un limbo che durerà almeno fino alle elezioni del 22 giugno.

Il piano per i giovani puntava a una rivoluzione metodologica per la fascia 5-12 anni, privilegiando la tecnica individuale rispetto alla tattica precoce — un investimento a lungo termine per risollevare la Nazionale. Tuttavia, la palla passa ora al prossimo presidente, che dovrà decidere se proseguire su questa strada o cambiare schema di gioco.

Ancora più complessa è la partita che riguarda gli arbitri. Il progetto di Gravina prevedeva la creazione di una società indipendente sotto la FIGC per rendere i direttori di gara dei veri professionisti, con un budget di 20 milioni di euro. Ma con l'AIA (attualmente guidata dal vicario Massini a causa dell'inibizione di Zappi) restia a perdere potere e il vuoto di vertice in Federazione, il rischio di un "fischio finale" anticipato su questa riforma è altissimo. Il calcio italiano si trova dunque in una fase di recupero forzato, in attesa di una nuova guida tecnica e politica.

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