Hércules Meneses: UEFA Champions League 2025/2026: 2ª Rodada                                                                       

UEFA Champions League 2025/2026: 2ª Rodada

 


A vitória de 2 a 1 da Atalanta sobre o Club Brugge na UEFA Champions League é, antes de tudo, um alívio necessário. Após o revés contra o PSG, a equipe de Juric precisava urgentemente dos três pontos, e os obteve através de uma notável virada no segundo tempo. Este resultado recoloca a Dea na briga por uma vaga, mostrando força de caráter e resiliência — pontos fortes inegáveis desta gestão.

No entanto, a partida expôs uma dicotomia preocupante. O primeiro tempo foi marcado por um ritmo lento, pouca imprevisibilidade e a incapacidade de criar chances claras — a Atalanta não registrou um único chute a gol, uma falha que se repete nesta edição da UCL. O gol do Brugge, originado por um erro de De Roon na construção, é um ponto fraco que evidencia a vulnerabilidade da equipe sob pressão. Se os grandes times europeus explorarem esses lapsos, a jornada da Dea na competição será curta. A dependência de um rendimento abaixo do ideal na primeira etapa e de uma reação imposta pelos substitutos levanta questões sobre o planejamento inicial de Juric e a capacidade do time titular de ditar o ritmo desde o início.

A grande mudança veio com as substituições. Juric demonstrou leitura de jogo apurada ao injetar velocidade e verticalidade no ataque com as entradas. O mérito do treinador por alterar o curso da partida é inegável, e a forma como a equipe se transformou, alcançando o empate com Samardzic (totalmente decisivo vindo do banco) e a virada com o artilheiro da UCL pelo clube, Pasalic, ilustra o potencial de profundidade do elenco. Este potencial, incluindo o retorno de Lookman ao time titular e a estreia histórica do jovem Honest Ahanor (o italiano mais jovem a começar um jogo de UCL), é um ponto forte que deve ser explorado.



A Inter de Milão estabeleceu-se como uma força a ser reconhecida na Liga dos Campeões 2025/26 ao vencer o Slavia Praga por 3 a 0. Este triunfo não foi apenas uma vitória, mas uma demonstração de domínio tático e de gestão de elenco eficiente sob o comando de Cristian Chivu. O placar de 3 a 0 reflete a superioridade nerazzurra e mantém a equipe com um aproveitamento de 100% no torneio, um ponto fortíssimo que a coloca entre as favoritas iniciais.

O principal ponto forte ofensivo da noite reside, inegavelmente, em Lautaro Martínez. O atacante argentino capitalizou um erro gritante do goleiro Stanek para abrir o placar, mas sua capacidade de finalização ficou evidente na sua dobradinha, que selou o resultado. Mais importante que o placar, a Inter alcançou uma marca histórica com Lautaro, que se junta a Mbappé e Haaland como um dos quatro jogadores a marcar em sete edições consecutivas da Champions League, sublinhando seu estatuto de jogador de elite mundial.

A eficácia do meio-campo e defesa é outro aspecto a ser destacado. O sistema de rodízio promovido pelo técnico Chivu funcionou perfeitamente. A equipe não só venceu, mas manteve a baliza invicta, uma tática que se repete e se consolida como uma identidade de jogo. O fato de a Inter ter o maior número de clean sheets (jogos sem sofrer gols) desde 2024/25, é uma estatística que atesta a solidez do seu sistema defensivo, com Sommer demonstrando segurança quando acionado.

No entanto, um ponto fraco sutil surgiu na partida. A lesão, ainda que superficial, de Marcus Thuram após um lance de genialidade (o toque de calcanhar) representa um risco latente para a equipe. Thuram é peça-chave na criação de jogadas, como provam seus recordes de participação em gols. Sua dependência, assim como a de Lautaro, pode se tornar um calcanamento de Aquiles em um calendário apertado, exigindo que o treinador tenha alternativas robustas. A Inter precisa gerir o desgaste físico de seus principais criadores e finalizadores de maneira meticulosa.

Em termos de contexto, a vitória de Chivu em seus dois primeiros jogos na competição, igualando o feito de técnicos como Mancini e Spalletti, mostra que o técnico está a par da ambição do clube. O domínio demonstrado sobre o Slavia Praga, com o jogo sendo de "sentido único" e a defesa checa "desmoronando", comprova que a Inter não apenas tem qualidade, mas também mentalidade de campeã na Europa. A equipe, que empata com o PSG em número de vitórias nas principais competições europeias de 2025, estabelece-se como uma das mais consistentes do continente.

A Inter dominou de ponta a ponta, com atuações individuais excelentes, como a de Denzel Dumfries, que continua a ser um dos defensores mais ofensivos da Europa, e a de Alessandro Bastoni, que é o zagueiro central com mais assistências na Champions League desde sua estreia. Essas estatísticas ressaltam que o sucesso da Inter não é fruto do acaso, mas de um projeto que valoriza a contribuição de todas as áreas do campo. A máquina nerazzurra está ajustada, mas a gestão do elenco será crucial para evitar que pequenos sustos se transformem em grandes problemas.



Noite de Champions, noite de ressurgimento em Nápoles! O Napoli deu uma resposta categórica à sua torcida ao bater o Sporting CP por 2 a 1 no Estádio Maradona. Este triunfo, longe de ser apenas três pontos, é uma injeção de moral e um atestado de personalidade sob a gestão de Antonio Conte. Depois de um começo europeu claudicante e uma derrota amarga no Derby contra o Milan, o Calcio precisava ver o Napoli mostrar sua fibra. E ele mostrou.

O grande protagonista da noite foi, inegavelmente, Rasmus Hojlund. O dinamarquês não hesitou em momentos cruciais. Seu primeiro gol, um primor de contra-ataque orquestrado pela inteligência de De Bruyne, que teve a participação vital na recuperação de Anguissa, ilustra exatamente o tipo de futebol vertical que Conte quer imprimir. Hojlund foi o herói do Napoli na Champions League, finalizando com a precisão de um centroavante de elite.

O empate do Sporting, vindo de pênalti, poderia ter derrubado o ânimo de uma equipe ainda fragilizada. Mas é aqui que reside a marca de Conte: a reação imediata. Aos 78 minutos, a conexão De Bruyne/Hojlund funcionou de novo. Não é coincidência: é repetição de jogada ensaiada, é foco. O gol de cabeça que garantiu a vitória não apenas deu a vantagem, mas também sinalizou aos adversários: o Napoli de Conte não se contenta com a estabilidade tática; ele busca o nocaute.

Esta vitória não é sobre engajamento do torcedor e a confirmação da força napolitana. Ao apagar a derrota para o Manchester City e reverter o clima pesado do campeonato, o Napoli prova que tem estofo para competir entre os grandes. Se Hojlund continuar neste ritmo e a defesa, capitaneada por Milinkovic-Savic – que fez uma defesa salvadora no final –, mantiver a solidez, a caminhada do Napoli na Europa promete ser longa.




A Juventus de Tudor demonstrou novamente que é uma equipe de extremos nesta Liga dos Campeões. O empate em 2 a 2 contra o Villarreal, na Espanha, resume a inconstância bianconera, que oscila entre a passividade tática e o ímpeto técnico individual. A partida foi claramente dividida em dois atos, com a Juve "presenteando" o primeiro tempo e dominando o segundo, mas pecando pela falta de gestão do resultado nos minutos finais, o que custou a vitória.

O ponto fraco mais evidente foi a postura inicial da equipe. A formação de Tudor, inexplicavelmente apática, permitiu ao Villarreal ditar o ritmo e criar chances claras de gol. O gol de Mikautadze, embora bem executado, foi uma consequência direta de uma organização defensiva frouxa e de uma pressão ineficaz no meio-campo. A sorte da Juventus no primeiro tempo atende por um nome: Perin. O goleiro, escolhido em vez de Di Gregorio, foi o pilar que evitou um desastre no placar. Suas intervenções contra Pedraza e Buchanan foram cruciais para manter o time vivo no jogo. Essa dependência exclusiva da performance do goleiro é um sinal de alerta tático que precisa ser urgentemente corrigido.

O ponto forte surgiu na segunda etapa. A entrada de Conceição mudou o mapa da partida. Sua energia, combinada com a determinação da equipe, transformou a Juventus. O empate de Gatti, uma bela finalização de bicicleta, serviu como um catalisador para a virada. A Vecchia Signora passou a ser agressiva, pressionando o Villarreal em seu próprio campo e forçando erros, como o que levou ao gol da virada, marcado pelo próprio Conceição. Esse período de domínio total, onde o time italiano pressionou, finalizou e até acertou a trave com David, mostra o potencial real e a qualidade técnica do elenco.

Apesar da reação inspiradora, o erro crucial reside na gestão dos minutos finais. Abrir mão da posse de bola e permitir um escanteio decisivo, que culminou no gol do empate de Renato Veiga aos 90 minutos, é um reflexo de imaturidade ou falta de concentração. Em um torneio de elite como a Liga dos Campeões, ceder um ponto dessa forma é imperdoável, especialmente após o esforço monumental para virar o placar. Esse padrão de sofrimento no final dos jogos — já visto contra o Dortmund — sugere uma fraqueza mental que Tudor precisa endereçar se quiser que a Juventus avance com sucesso. O resultado final é um empate que, pela exibição do segundo tempo, tem o sabor amargo de uma derrota tática nos segundos finais.


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