Hércules Meneses: Primeira temporada sem Roberto Baggio                                                                       

Primeira temporada sem Roberto Baggio

"Por motivos alheios à minha vontade, incluindo dificuldades financeiras e outras questões, meu acompanhamento da Série A italiana se iniciou com mais ênfase nessa temporada. Foi tardiamente, ou seja, após a aposentadoria do atleta que me influenciou a apreciar o futebol. Uma triste ironia ou uma infeliz coincidência." 

A temporada 2004-2005 da Série A italiana ocorreu entre setembro de 2004 e maio de 2005, com a Juventus conquistando o título. Entretanto, após o escândalo do Calciopoli, o título foi anulado e não foi repassado a nenhum outro time. Cristiano Lucarelli, jogador do Livorno, foi o maior goleador da competição, marcando 24 gols.

Em suma, o escândalo da Calciopoli veio à tona em 2006, quando a Procuradoria de Nápoles iniciou uma investigação que expôs uma complexa trama envolvendo dirigentes e árbitros. No centro desse esquema estava Luciano Moggi, então diretor geral da Juventus, acusado de influenciar os resultados do campeonato italiano para beneficiar não apenas o time da Juventus, mas também outros clubes aliados. Esse sistema de manipulação ficou conhecido como o "sistema Moggi".

As principais acusações:

Um dos pontos-chave da denúncia foi o uso de cartões SIM estrangeiros por Moggi, supostamente para evitar que suas comunicações fossem interceptadas. Esses cartões foram descobertos com os designadores de árbitros da época, Pierluigi Pairetto (que foi condenado a 2 anos de prisão) e Paolo Bergamo (cujo caso teve que ser revisado devido a uma falha processual).

O veredito

O julgamento resultou na anulação de dois Scudetti que a Juventus havia vencido (nas temporadas 2004-05 e 2005-06) e decretou o descenso do time para a segunda divisão do futebol italiano. Outras equipes, como Milan, Fiorentina e Lazio, também foram severamente punidas com sanções significativas.

Em setembro de 2003, a FIGC implementou uma reforma nos campeonatos italianos, motivada pelo caso Catania. Essa mudança aumentou o número de times na primeira divisão para 20, com três times sendo rebaixados e três promovidos da segunda divisão, que também foi ampliada para 22 clubes. A ideia de usar play-offs para definir os rebaixamentos foi rejeitada. Estatisticamente, um campeonato com 20 participantes não ocorria desde a temporada 1951-1952.

Nessa temporada, times como Atalanta, Cagliari, Livorno, Messina, Palermo e Fiorentina retornaram à elite do futebol italiano, com a Fiorentina garantindo sua vaga após um play-off contra o Perugia.

Entre as mudanças nas regras, foi proibido fumar na área técnica para os profissionais registrados, e os jogadores que tirassem a camisa durante o jogo passaram a receber advertência automática. Além disso, os uniformes puderam exibir um segundo patrocinador, algo adotado por Messina, Palermo e Reggina. Outra novidade foi que, a partir dessa edição, os campeões italianos passaram a ser premiados em campo na última rodada ou, se a conquista fosse antecipada, no último jogo em casa.

O Milan, atual campeão, fortaleceu sua defesa com a contratação de Stam, que havia jogado na Lazio, e também trouxe de volta o atacante Crespo, que havia passado uma temporada no Chelsea.



No cenário dos técnicos, Fabio Capello e Roberto Mancini deixaram Roma para assumir a Juventus e a Inter, respectivamente. A Juventus ainda conseguiu contratar Zebina e Emerson, ambos da Roma, e fechou seu mercado com as chegadas de Cannavaro, vindo da Inter (em troca do goleiro Carini), e do jovem talento Ibrahimović, do Ajax. Mancini, por sua vez, levou Favalli e Mihajlović para a Inter, e o meio-campo do clube foi reforçado com Cambiasso, Verón e Davids. Na defesa, o ex-técnico da Lazio também garantiu Burdisso e Zé Maria.




A Roma enfrentou um verão conturbado, com a saída de Capello e problemas financeiros que forçaram a venda de Samuel e Emerson. A situação piorou com a renúncia do novo técnico, Prandelli, pouco antes do início do campeonato. A diretoria, liderada por Rosella Sensi (filha do presidente), contratou Rudi Völler como técnico e fechou o mercado com Mexès (do Auxerre, em uma transferência polêmica que resultou em suspensão), Perrotta e o atacante Mido. Já a Lazio, do outro lado do rio Tibre, passou por uma reestruturação ainda mais complicada, com a chegada de Claudio Lotito para evitar a falência do clube. Vários jogadores importantes foram vendidos para aliviar as finanças, incluindo Fiore e Corradi, e o clube trouxe de volta Di Canio, enquanto Caso assumiu o comando técnico.



O Parma passou por dificuldades financeiras, sendo salvo da falência por meio da administração de Enrico Bondi. Sob o comando do técnico Silvio Baldini, o time adotou uma postura conservadora, sem grandes pretensões.



Outros clubes também se movimentaram no mercado de transferências, com destaque para a Udinese, que contratou Di Natale, e a Fiorentina, que garantiu Chiellini e Miccoli.

 



Dois jogadores da seleção grega, campeões da Eurocopa, foram contratados por times italianos: o goleiro Katergiannakis foi para o Cagliari, enquanto o meio-campista Zagorakis reforçou o Bologna.

Na Série A, alguns treinadores fizeram sua estreia: Walter Mazzarri assumiu a Reggina, Andrea Mandorlini continuou no comando da Atalanta após o acesso e Daniele Arrigoni foi contratado pelo Cagliari.

Resumo do Turno de Ida

De acordo com as previsões, a Juventus, comandada por Capello, era apontada como a maior concorrente ao título do Milan, que defendia o campeonato. A equipe começou a temporada de forma avassaladora, assumindo uma liderança isolada. Enquanto isso, Milan e Inter enfrentaram problemas para manter o ritmo, e a Roma passou por conflitos internos e mudanças no comando técnico, com a saída de Völler e a chegada de Delneri. O Milan só conseguiu vencer em casa em outubro, e a Inter acumulou vários empates. Lazio e Parma, mais fracas do que na temporada anterior, começaram mal, abrindo espaço para que Cagliari e Lecce se destacassem com um ótimo desempenho inicial.

A Juventus sofreu uma derrota em Reggio Calabria, marcada por controvérsias sobre as decisões do árbitro, o que abriu espaço para o Milan se consolidar como seu principal rival na disputa pelo título. O jogo entre as duas equipes no estádio Delle Alpi, realizado próximo ao Natal, terminou sem gols, mantendo uma diferença de 4 pontos entre elas. Enquanto isso, na Champions League, a Udinese, comandada por Spalletti, surpreendeu ao superar a Inter, que ainda não havia perdido. As equipes recém-promovidas, Livorno e Messina, também se destacaram, conseguindo bons resultados mesmo em jogos difíceis, como contra o Milan, e se mantendo longe da zona de rebaixamento, onde times como Fiorentina e Bologna lutavam para escapar. Siena e Reggina estavam próximos da Atalanta, lanterna do campeonato, enquanto Brescia e Chievo tinham campanhas muito ruins.

Na disputa pela classificação para a UEFA, Palermo e Sampdoria se destacavam, enquanto a Juventus assumia a liderança ao final da primeira metade do campeonato, com uma vantagem de 2 pontos sobre o Milan.

Resumo do Turno de Volta

No inverno de 2005, a classificação do campeonato italiano de futebol sofreu reviravoltas inesperadas. Em 30 de janeiro, o Milan, time rossonero, viu sua vantagem na liderança diminuir para 8 pontos após sofrer duas derrotas. No entanto, a Juventus, também tropeçou em algumas partidas, dando ao Milan a chance de se recuperar.

Após um empate entre os dois times em 19 de fevereiro, a disputa pela liderança se intensificou, com ambos os times se revezando na ponta durante o mês de março. Enquanto isso, a Inter de Milão se consolidava na terceira posição, e a Fiorentina lutava para evitar o rebaixamento.

Após um breve período de separação na 31ª rodada, com a Juventus se distanciando do Milan, mas logo perdendo essa vantagem, os dois times voltaram a liderar juntos até o confronto direto em maio. Um gol de Trezeguet, com assistência de Del Piero, deu a vitória e o título à Juventus, que viu sua vantagem aumentar após um tropeço do Milan. A Juventus comemorou o título antes mesmo de jogar, beneficiada pelo empate do Milan com o Palermo, que garantiu a vaga do time siciliano em competições europeias.

A luta contra o rebaixamento foi acirrada, envolvendo muitos times, incluindo a Atalanta, que chegou a ter chances de escapar. No entanto, a derrota para a Roma na penúltima rodada selou o rebaixamento da Atalanta e garantiu a permanência da Roma na Série A. A Juventus ajudou a garantir a salvação do Livorno com um empate em um jogo fora de casa. Lazio e Fiorentina também conquistaram a permanência, com a Fiorentina precisando vencer o Brescia na última rodada para evitar o rebaixamento, o que acabou rebaixando o Brescia e a Atalanta. A Udinese garantiu uma vaga histórica na Champions League, enquanto Bologna e Parma foram forçados a disputar um playoff de rebaixamento.

Após o término da temporada, o Parma e o Bologna se enfrentaram em duas partidas decisivas. O Parma conseguiu vencer por 2-0 no estádio do Bologna, o Estádio Renato Dall'Ara, revertendo a derrota que havia sofrido em casa. Com isso, o Bologna foi rebaixado para a Série B.

No verão de 2006, o escândalo Calciopoli veio à tona, envolvendo 19 jogos daquela temporada. Como resultado, o título de campeão italiano (scudetto) que a Juventus havia conquistado foi anulado, e nenhum outro time foi declarado campeão.



Aconteceu nessa temporada

Em 6 de janeiro de 2005, durante um derby tenso e acirrado, Fabio Liverani, jogador da Lazio com raízes romanas mas torcedor de outro time na infância, fez um passe milimétrico para Paolo Di Canio. Liverani, agora vestindo a camisa da Lazio, tinha a missão de servir o companheiro de equipe da melhor forma possível, e o fez com um passe teleguiado que Di Canio, camisa 9 da Lazio, não desperdiçou, empurrando a bola para o gol. A comemoração de Di Canio foi um show à parte: ele correu em direção à torcida, parou em frente aos cartazes publicitários e abriu os braços, transmitindo o recado "Estou de volta e marquei de novo".




















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