"Por motivos alheios à minha vontade, incluindo dificuldades financeiras e outras questões, meu acompanhamento da Série A italiana se iniciou com mais ênfase nessa temporada. Foi tardiamente, ou seja, após a aposentadoria do atleta que me influenciou a apreciar o futebol. Uma triste ironia ou uma infeliz coincidência."
A temporada 2004-2005 da Série A italiana ocorreu entre setembro de 2004 e maio de 2005, com a Juventus conquistando o título. Entretanto, após o escândalo do Calciopoli, o título foi anulado e não foi repassado a nenhum outro time. Cristiano Lucarelli, jogador do Livorno, foi o maior goleador da competição, marcando 24 gols.
Em suma, o escândalo da Calciopoli veio à tona em 2006, quando a Procuradoria de Nápoles iniciou uma investigação que expôs uma complexa trama envolvendo dirigentes e árbitros. No centro desse esquema estava Luciano Moggi, então diretor geral da Juventus, acusado de influenciar os resultados do campeonato italiano para beneficiar não apenas o time da Juventus, mas também outros clubes aliados. Esse sistema de manipulação ficou conhecido como o "sistema Moggi".
As principais acusações:
Um dos pontos-chave da denúncia foi o uso de cartões SIM estrangeiros por Moggi, supostamente para evitar que suas comunicações fossem interceptadas. Esses cartões foram descobertos com os designadores de árbitros da época, Pierluigi Pairetto (que foi condenado a 2 anos de prisão) e Paolo Bergamo (cujo caso teve que ser revisado devido a uma falha processual).
O veredito
O julgamento resultou na anulação de dois Scudetti que a Juventus havia vencido (nas temporadas 2004-05 e 2005-06) e decretou o descenso do time para a segunda divisão do futebol italiano. Outras equipes, como Milan, Fiorentina e Lazio, também foram severamente punidas com sanções significativas.
Em setembro de 2003, a FIGC implementou uma reforma nos campeonatos italianos, motivada pelo caso Catania. Essa mudança aumentou o número de times na primeira divisão para 20, com três times sendo rebaixados e três promovidos da segunda divisão, que também foi ampliada para 22 clubes. A ideia de usar play-offs para definir os rebaixamentos foi rejeitada. Estatisticamente, um campeonato com 20 participantes não ocorria desde a temporada 1951-1952.
Nessa temporada, times como Atalanta, Cagliari, Livorno, Messina, Palermo e Fiorentina retornaram à elite do futebol italiano, com a Fiorentina garantindo sua vaga após um play-off contra o Perugia.
Entre as mudanças nas regras, foi proibido fumar na área técnica para os profissionais registrados, e os jogadores que tirassem a camisa durante o jogo passaram a receber advertência automática. Além disso, os uniformes puderam exibir um segundo patrocinador, algo adotado por Messina, Palermo e Reggina. Outra novidade foi que, a partir dessa edição, os campeões italianos passaram a ser premiados em campo na última rodada ou, se a conquista fosse antecipada, no último jogo em casa.
O Milan, atual campeão, fortaleceu sua defesa com a contratação de Stam, que havia jogado na Lazio, e também trouxe de volta o atacante Crespo, que havia passado uma temporada no Chelsea.
No cenário dos técnicos, Fabio Capello e Roberto Mancini deixaram Roma para assumir a Juventus e a Inter, respectivamente. A Juventus ainda conseguiu contratar Zebina e Emerson, ambos da Roma, e fechou seu mercado com as chegadas de Cannavaro, vindo da Inter (em troca do goleiro Carini), e do jovem talento Ibrahimović, do Ajax. Mancini, por sua vez, levou Favalli e Mihajlović para a Inter, e o meio-campo do clube foi reforçado com Cambiasso, Verón e Davids. Na defesa, o ex-técnico da Lazio também garantiu Burdisso e Zé Maria.
A Roma enfrentou um verão conturbado, com a saída de Capello e problemas financeiros que forçaram a venda de Samuel e Emerson. A situação piorou com a renúncia do novo técnico, Prandelli, pouco antes do início do campeonato. A diretoria, liderada por Rosella Sensi (filha do presidente), contratou Rudi Völler como técnico e fechou o mercado com Mexès (do Auxerre, em uma transferência polêmica que resultou em suspensão), Perrotta e o atacante Mido. Já a Lazio, do outro lado do rio Tibre, passou por uma reestruturação ainda mais complicada, com a chegada de Claudio Lotito para evitar a falência do clube. Vários jogadores importantes foram vendidos para aliviar as finanças, incluindo Fiore e Corradi, e o clube trouxe de volta Di Canio, enquanto Caso assumiu o comando técnico.
O Parma passou por dificuldades financeiras, sendo salvo da falência por meio da administração de Enrico Bondi. Sob o comando do técnico Silvio Baldini, o time adotou uma postura conservadora, sem grandes pretensões.
Outros clubes também se movimentaram no mercado de transferências, com destaque para a Udinese, que contratou Di Natale, e a Fiorentina, que garantiu Chiellini e Miccoli.
Dois jogadores da seleção grega, campeões da Eurocopa, foram contratados por times italianos: o goleiro Katergiannakis foi para o Cagliari, enquanto o meio-campista Zagorakis reforçou o Bologna.
Na Série A, alguns treinadores fizeram sua estreia: Walter Mazzarri assumiu a Reggina, Andrea Mandorlini continuou no comando da Atalanta após o acesso e Daniele Arrigoni foi contratado pelo Cagliari.




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