Em um cenário do futebol italiano frequentemente dominado pelos gigantes do norte, a história do Cosenza Calcio emerge como um testemunho de resiliência, paixão inabalável e uma teimosia marcante. Fundado em 1914 como "Società Sportiva Fortitudo", o clube rossoblù de Cosenza, na Calábria, celebra mais de um século de existência, pontuado por momentos de glória, tragédias e uma conexão visceral com sua cidade.
Os primeiros anos do Cosenza foram modestos, com partidas disputadas em clareiras e a rivalidade embrionária com o Catanzaro se manifestando já no primeiro jogo oficial, um empate em 1 a 1 em 1914. Ao longo das décadas, o nome do clube evoluiu, passando por "Dopolavoro FFSS Cosenza" e "Calcio Cosenza", até se firmar como "Cosenza Sport Club" em 1930, quando começou a disputar seus primeiros campeonatos organizados.
Ascensão e Desafios Pós-Guerra:
A década de 30 foi de crescimento. Com o Barão Campagna entre os arquitetos da nova estrutura, o Cosenza se aventurou nas divisões nacionais, atraindo jogadores de outras regiões e inaugurando o Campo Sportivo "Città di Cosenza" em 1931, mais tarde renomeado para "Emilio Morrone", em uma homenagem póstuma a um jovem jogador falecido em campo. A equipe, então, mostrou sua força, conquistando um notável terceiro lugar na temporada 1932-33.
Contudo, a história do Cosenza é também a de uma luta contínua contra as adversidades. Crises financeiras e os impactos da Segunda Guerra Mundial deixaram o clube à beira do colapso. O rebaixamento para a Série D na temporada 1973-74 parecia o capítulo final, mas a paixão de seus torcedores e a liderança de figuras como Giusto Lodi e Mario Guido foram cruciais para a sobrevivência. A temporada 1974-75 tornou-se lendária, com o Cosenza conquistando a Série D com um recorde de 17 vitórias em casa, uma prova irrefutável de sua capacidade de superação.
O Retorno à Série B e Ídolos Eternos:
A década de 80 marcou um período de renascimento. Após anos de idas e vindas entre as divisões inferiores, a chegada do "semeador de ouro" Gianni Di Marzio em 1987 e o apoio da Sociedade por Ações impulsionaram o Cosenza para a tão aguardada promoção à Série B em 1988, um feito celebrado com a icônica frase "Nunca mais prisioneiros de um sonho". Essa conquista, que encerrou um jejum de 24 anos, é um dos marcos mais importantes da história do clube.
Nesse período, surgiram ídolos que se eternizaram na memória dos rossoblù, como Gigi Marulla, o maior artilheiro e jogador com mais presenças na história do clube. Sua determinação em momentos cruciais, como o playoff de salvação contra a Salernitana em Pescara, é um símbolo da resiliência cosentina.
Tragédias e a Resiliência Contínua:
A história recente do Cosenza é pontuada por nove anos consecutivos na Série B, o que demonstra uma certa estabilidade, mas também por tragédias como as mortes de Donato Bergamini e Massimiliano Catena, que adicionam uma camada de melancolia a essa saga. A paixão de presidentes como Paolo Fabiano Pagliuso e a dedicação de técnicos como Sonzogni e Zaccheroni, que souberam superar até mesmo a dolorosa penalização de nove pontos, mostram a teimosia de um clube que se recusa a desistir.
Enquanto houver um torcedor para gritar "forza lupi", a bandeira do Cosenza continuará a tremular, simbolizando a luta incansável de uma comunidade unida pelo futebol. É uma história que merece ser contada, um lembrete de que, no esporte, a verdadeira glória nem sempre está nos troféus, mas na capacidade de sobreviver e, acima de tudo, de resistir.


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