Hércules Meneses: Frosinone: Uma História de Paixão em Ascensão                                                                       

Frosinone: Uma História de Paixão em Ascensão


 

A história do Frosinone Calcio é um espelho do futebol italiano em suas camadas mais profundas: uma saga de luta, paixão inabalável e a persistência de uma comunidade em ver seu time brilhar. Nascido modestamente no final de 1918, e com atividades contínuas a partir de 1923, o clube da província de Ciociaria percorreu um caminho árduo, pontuado por momentos dramáticos e conquistas celebradas com fervor.

Os primeiros anos, sob a alcunha de "Bellator Frusino" e ostentando as cores vermelho e azul (depois amarelo e azul-claro), viram a equipe alcançar a Primeira Divisão Nacional em 1934 e inaugurar seu lar, o Estádio Matusa, em 1932. Contudo, a Segunda Guerra Mundial impôs uma pausa forçada, desmantelando a equipe e mergulhando o clube no anonimato.

O RENASCIMENTO E O "FAR WEST" DE 1957

O pós-guerra trouxe um renascimento em 1945. O Frosinone rapidamente galgou divisões, chegando à Série C em 1947. No entanto, foi um episódio em 24 de novembro de 1957 que gravou o nome do Frosinone na crônica do futebol italiano por razões inusitadas. No confronto contra o poderoso Cosenza, um gol tardio do Frosinone desencadeou uma "briga de boxe" entre jogadores e torcida, com o árbitro sendo agredido e perseguido por quilômetros. A Liga reverteu o resultado na mesa, e o clube, em protesto por injustiças, retirou-se do campeonato, marcando um dos capítulos mais turbulentos de sua história.

ANOS DE LUTA E NOVAS GLÓRIAS

As décadas de 60 e 70 foram de reconstrução e busca por estabilidade. O "Sporting Club" resgatou o futebol de bom nível, culminando em uma promoção para a Série C em 1966. Lendas como Amedeo Amadei, ex-Roma, chegaram ao banco, e o goleiro Raffaele Trentini estabeleceu um recorde nacional de invencibilidade com 1.204 minutos sem sofrer gols. O clube também revelou talentos como Massimo Palanca, futuro ícone do Catanzaro, que se destacou como artilheiro na Série C.



A década de 80 trouxe uma promoção invicta para a C2 em 1980-81 e, posteriormente, para a Série C1 em 1986-87, sob a presidência de Tito Di Vito. Apesar das dificuldades financeiras, o Frosinone demonstrava sua resiliência. No entanto, os anos 90 seriam marcados por um novo revés, com a exclusão da FIGC em 1990 e um breve retorno aos campeonatos amadores, antes de uma "repescagem" para a Série C2.

A ASCENSÃO NA ERA STIRPE: DA C2 À SÉRIE B

O verdadeiro divisor de águas para o Frosinone ocorreu no início dos anos 2000, com a ascensão de Maurizio Stirpe à presidência em 2003, seguindo os passos de seu pai e tio. Sob sua liderança, o clube embarcou em uma jornada meteórica. Em 2004, o Frosinone retornou à Série C1 após 16 anos, com uma festa grandiosa que mobilizou a cidade.


Ainda mais impressionante foi a temporada 2005-06. Sob o comando do técnico Ivo Iaconi, um "especialista em promoções", o Frosinone, com um elenco de valor e a paixão de sua torcida, conquistou a tão sonhada promoção para a Série B. A vitória sobre o Grosseto na final dos playoffs fez explodir de alegria uma cidade que sonhava há décadas em ver seu time na segunda divisão do futebol italiano.


OS DESAFIOS DA SÉRIE B E NOVAS CONQUISTAS

A Série B trouxe novos desafios e aprendizados. Após cinco temporadas na segunda divisão, o clube foi rebaixado em 2011. Contudo, a resiliência giallazzurra prevaleceu. Em 2014, novamente sob a batuta de um ex-jogador e agora técnico, Roberto Stellone, o Frosinone protagonizou outra campanha memorável. Após uma temporada regular disputada até o fim e playoffs eletrizantes, incluindo um duelo épico contra o Lecce, o Frosinone garantiu sua volta à Série B. A vitória por 3-1 na prorrogação da final dos playoffs, com gols que fizeram a torcida explodir, solidificou o status do Frosinone como um clube que, com paixão, organização e uma base sólida de torcedores, pode transformar sonhos em realidade. A história do Frosinone Calcio é um hino à perseverança no futebol.

A Primeira Ascensão Histórica (2014-15): Um Sonho Realizado

O ponto de virada definitivo ocorreu na temporada 2014-15. Sob o comando do técnico Roberto Stellone, o Frosinone, que inicialmente almejava os playoffs da Série B, surpreendeu a todos com uma campanha espetacular. A equipe, impulsionada por jogadores como Federico Dionisi e Daniel Ciofani, engrenou uma "sexta marcha" decisiva. Apesar de alguns tropeços e jogos polêmicos, como o empate com o Entella marcado por um pênalti controverso, a equipe demonstrou uma capacidade ímpar de se reerguer. A diretoria, liderada pelo presidente Maurizio Stirpe, manteve a confiança em Stellone, e o resultado foi o acesso direto à Série A, conquistado em 16 de maio de 2015, após uma vitória por 3 a 1 sobre o Crotone. Foi o ápice de um sonho cultivado por décadas e a concretização de um objetivo que o falecido presidente honorário Benito Stirpe tanto almejava.


O Desafio da Elite e o Retorno (2015-16): O Batismo de Fogo

A Série A representou um novo patamar de exigência para o Frosinone. Em sua temporada de estreia (2015-16), o clube precisou se adaptar rapidamente ao ritmo e à qualidade dos adversários. Apesar de momentos memoráveis, como o empate heroico contra a Juventus em Turim e a luta em campo contra gigantes, a inexperiência e a intensidade da competição se mostraram obstáculos. O time de Stellone, com seu estilo de rodízio, buscou se manter competitivo, e jogadores como Daniel Ciofani e Federico Dionisi continuaram a balançar as redes. No entanto, após uma série de resultados inconstantes, incluindo derrotas pesadas, o Frosinone acabou sendo rebaixado na penúltima rodada, após a derrota para o Sassuolo. A reação da torcida, que aplaudiu os jogadores mesmo com a queda, viralizou e reforçou a imagem de um clube com uma base de fãs apaixonada.

A Busca Pela Reafirmação e o Segundo Acesso (2016-17 e 2017-18): A Ressurgência

A temporada 2016-17, com Pasquale Marino no banco, viu o Frosinone tentar novamente o acesso. O time teve uma campanha consistente, mas a derrota nos playoffs para o Carpi em um jogo dramático selou sua permanência na Série B. Porém, a diretoria não desanimou. Para 2017-18, Moreno Longo assumiu o comando, e a equipe, com um elenco reforçado e a inauguração do moderno Estádio Benito Stirpe, iniciou uma nova trajetória de sucesso. Após uma campanha sólida no campeonato regular, o Frosinone enfrentou os playoffs novamente. O momento culminante foi a épica batalha contra o Palermo, vencida em um jogo de volta inesquecível no Benito Stirpe, que garantiu o segundo acesso à Série A.


Anos Recentes: Entre a Esperança e a Frustração (2018-19 a 2021-22)

A segunda passagem pela Série A (2018-19) foi novamente desafiadora. O Frosinone lutou, mas a inconstância nos resultados e a dificuldade em pontuar de forma consistente levaram a mais um rebaixamento. As temporadas seguintes na Série B foram uma montanha-russa. Com nomes como Alessandro Nesta e Fabio Grosso no comando técnico, o clube buscou o retorno à elite. Em 2019-20, a equipe de Nesta chegou à final dos playoffs, mas perdeu o acesso por um detalhe doloroso contra o Spezia. As temporadas 2020-21 e 2021-22 foram marcadas pelo impacto da pandemia de COVID-19 e por lesões cruciais, que minaram a consistência do time e o impediram de alcançar os playoffs, terminando em 10º e 9º lugares, respectivamente.

O Domínio na Série B (2022-23): Sob a batuta do técnico Fabio Grosso, o Frosinone "canibalizou" a Série B. A equipe giallazzurra encerrou a temporada com impressionantes 80 pontos, seis a mais que o vice-campeão Genoa, e uma coleção de recordes que atestam sua superioridade: melhor ataque (63 gols), melhor defesa (26 gols), 20 clean sheets (jogos sem sofrer gols), 23 vitórias (recorde do clube na competição), e o melhor desempenho em casa (45 pontos).

A campanha foi fruto de um planejamento estratégico de três anos, que visava a otimização do elenco e a funcionalidade tática. Grosso foi fundamental ao valorizar todos os jogadores e "amortecer" as ausências por lesão de peças importantes como Lucioni, Koné e Mulattieri. O time, que começou a temporada com uma derrota na Copa Itália, rapidamente engrenou no campeonato, com uma sequência de seis vitórias consecutivas que o levou à liderança na 10ª rodada. A combinação de um ataque cirúrgico, defesa granítica, meio-campo de qualidade e quantidade e uma solidez inabalável fez do Frosinone um campeão de inverno incontestável, coroado com 39 pontos. A segunda metade da temporada manteve o ritmo, e a vitória por 3-1 sobre o Reggina, em 1º de maio, selou o terceiro acesso à Série A na história do clube, sob forte chuva e com gols de Borrelli e Insigne. Aquele ano foi um "solilóquio giallazzurro", um verdadeiro milagre na gestão de vinte anos do presidente Maurizio Stirpe.

A Dura Realidade da Série A (2023-24): A transição para a elite trouxe consigo mudanças inevitáveis e um novo comando técnico: Eusebio Di Francesco. O elenco foi remodelado, com a saída de jogadores importantes como Boloca e a chegada de jovens talentos por empréstimo de grandes clubes, como Soulé, Kaio Jorge e Barrenechea da Juventus, Reinier do Real Madrid e Ibrahimovic do Bayern.

O início da Série A foi promissor, com o Frosinone vencendo equipes importantes como Atalanta (2-1) e Sassuolo (4-2) em seu caldeirão, o Benito Stirpe. Empates fora de casa contra Udinese e Salernitana também indicavam um time competitivo. No entanto, a sorte começou a virar. Lesões cruciais, como a de Harroui (fora por 12 jogos) e de defensores como Bonifazi e Zortea, comprometeram a estrutura da equipe. A resiliência demonstrada na Série B se mostrou insuficiente para a consistência exigida na elite.

O momento mais doloroso talvez tenha sido a derrota por 4-3 para o Cagliari, após estar vencendo por 3-0. Essa e outras derrotas apertadas, muitas vezes com o time expressando um bom futebol, mas falhando na finalização ou sofrendo gols em lances duvidosos, se tornaram um padrão. Apesar de resistir a grandes times como Milan e Inter, e até mesmo golear o Napoli por 4-0 na Copa Itália, o Frosinone entrou em uma espiral de resultados negativos no campeonato.

A sequência de cinco derrotas consecutivas no início de 2024, culminando em uma goleada para a Atalanta, pesou na moral do elenco. Apesar de Di Francesco ter conseguido estancar a "hemorragia de pontos" com uma série de empates no final da temporada, a batalha pela permanência se estendeu até a última rodada. Na "mãe de todas as partidas", como descrito, o Frosinone perdeu em casa para a Udinese por 1-0, enquanto o Empoli, concorrente direto, garantiu a salvação ao vencer a Roma no tempo extra.

O Frosinone de Di Francesco foi rebaixado de forma "terrível", deixando a sensação de que o time merecia mais. Um bom futebol foi apresentado, mas a incapacidade de converter chances claras em gols, aliadas a erros pontuais, custaram caro. Que essa dolorosa experiência sirva de aprendizado para o futuro dos giallazzurri na busca por consolidar seu lugar na elite do futebol italiano.




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