No cenário do futebol italiano, poucas histórias são tão inspiradoras quanto a do Sassuolo Calcio. De um clube fundado em 1920 e relegado a ligas amadoras por décadas, o neroverde se transformou em um fenômeno da Série A, desafiando as grandes potências. A chave para essa ascensão notável? Uma combinação de visão estratégica, investimento inteligente e, crucialmente, a chegada de um empresário que mudou tudo.
A virada do milênio marcou o ponto de inflexão. Em 2003, Giorgio Squinzi, o visionário patrono da Mapei, assumiu o controle do clube. Squinzi não apenas trouxe capital, mas uma mentalidade de programação séria e ambição que estava à frente de seu tempo no futebol de cidades menores. Foi o início de uma escalada histórica. A partir de uma salvação milagrosa na Série C2 em 2003-04, o Sassuolo não olhou mais para trás.
A cada passo, um novo treinador e novos jogadores eram incorporados ao projeto. Massimiliano Allegri liderou a promoção para a Série B em 2008, e Eusebio Di Francesco (em sua primeira passagem) orquestrou o momento mais emblemático: a histórica promoção para a Série A em 2013. Uma cidade com apenas 40.000 habitantes, Sassuolo, entrava para a elite, estabelecendo um recorde. O Mapei Stadium, com a visão de Squinzi, tornou-se o novo lar e símbolo dessa ascensão.
Na Série A, o clube de Squinzi não se contentou em apenas participar. Sob Di Francesco, o Sassuolo alcançou um inédito sexto lugar em 2016, garantindo a qualificação para a UEFA Europa League. Essa campanha europeia, apesar de não chegar às fases finais, mostrou ao continente a ousadia do neroverde. Jogadores como Domenico Berardi, que se tornou um ícone e "bandeira" do clube, e o meio-campista Francesco Magnanelli, capitão e símbolo de longevidade, foram peças-chave nessa jornada.
Mesmo após o falecimento dos Squinzi em 2019, o legado continuou. O Mapei Football Center foi o "último presente" da família, solidificando as bases para o futuro. Com técnicos como Roberto De Zerbi, que implementou um futebol ofensivo e atraente, o Sassuolo manteve-se competitivo, alcançando recordes de pontos na Série A. Mais recentemente, Alessio Dionisi consolidou a reputação do Sassuolo como o "matador de gigantes", com vitórias históricas sobre Inter, Juventus e Milan, um feito que não se via há 66 anos no futebol italiano.
Em 2022-23, o Sassuolo celebrou uma década ininterrupta na Série A, um testemunho de seu sucesso e permanência. A história do Sassuolo Calcio é um modelo de como a gestão inteligente, a identidade clara e a capacidade de inovação podem levar um pequeno clube a desafiar as lendas do futebol italiano e se estabelecer como uma força respeitável no cenário europeu. Na temporada 2023–24 , o Sassuolo terminou em 19º na tabela e foi rebaixado para a Série B, encerrando sua permanência de 11 anos na primeira divisão. Eles venceram imediatamente a Série B em 2025.

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