O resultado de Gianluigi Donnarumma na Bola de Ouro 2025, onde se posicionou apenas em nono lugar apesar de ter vencido o Troféu Yashin de melhor goleiro, merece uma análise crítica profunda. O ponto forte inegável de Donnarumma foi sua temporada monumental no Paris Saint-Germain, especialmente na Champions League, onde suas defesas foram cruciais para a campanha vitoriosa do clube. A vitória no Troféu Yashin confirma o seu status de elite global em sua posição.
A fraqueza, no entanto, reside na percepção de seu impacto fora da função específica de goleiro, o que pode justificar a colocação inferior no prêmio principal. Goleiros historicamente enfrentam dificuldade para alcançar o topo da Bola de Ouro, e o voto fragmentado reflete isso. Seu nono lugar é um indicativo de que seu desempenho, embora impecável na baliza, não foi visto como "o mais decisivo" do futebol mundial, superado por atacantes e meias que geram mais gols e manchetes.
O aspecto mais controverso e analiticamente rico deste resultado é o voto da Itália. O jornalista italiano Paolo Condò colocou Donnarumma apenas em quarto lugar em sua lista. É notável que o país natal do goleiro o tenha classificado abaixo de jogadores como Lamine Yamal, Ousmane Dembélé e até mesmo Mohamed Salah. Essa escolha sugere uma dissonância entre o reconhecimento internacional (cinco países o colocaram no pódio) e a avaliação doméstica, levantando questões sobre os critérios utilizados pelo jurado italiano. Essa falta de apoio "em casa" é um ponto fraco moral, se não técnico, para o atleta.
A divergência nos votos ao redor do mundo adiciona outra camada de análise. Países como Camarões o colocaram em segundo lugar, valorizando imensamente seu desempenho. Outros países, como Marrocos e Egito, usaram o prêmio para destacar seus próprios compatriotas (Hakimi e Salah, respectivamente), evidenciando o viés nacionalista que, inegavelmente, influencia a votação. Essa tendência, comum no prêmio, torna o resultado de Donnarumma (e dos demais) menos um reflexo absoluto de mérito e mais um mapa de influência e nacionalismo no futebol global.
A classificação final mostra Dembélé e Yamal no topo, com a ascensão de Vitinha e Raphinha, sugerindo que o foco dos votantes recaiu sobre o desempenho ofensivo e a efervescência de novos talentos. Donnarumma, com apenas 172 pontos, ficou na nona posição, apenas um ponto à frente de Nuno Mendes. Isso consolida a Bola de Ouro como um prêmio de atacantes e meias decisivos, limitando o reconhecimento máximo para a categoria de goleiros, mesmo para um vencedor do Troféu Yashin.
A conclusão é que Donnarumma teve um desempenho de campeão em sua posição, mas a natureza do prêmio e o surpreendente desprezo no voto italiano o relegaram a uma posição aquém de seu impacto real na temporada. A controvérsia do voto italiano é o verdadeiro ponto de debate dessa premiação.
A CLASSIFICAÇÃO DA BOLA DE OURO: OS VOTOS DOS PRIMEIROS 10
Ousmane Dembélé: 1.380 pontos
Lamine Yamal: 1.059 pontos
Vitinha: 703 pontos
Mohamed Salah: 657 pontos
Raphinha: 620 pontos
Achraf Hakimi: 484 pontos
Kylian Mbappé: 378 pontos
Cole Palmer: 211 pontos
Gigio Donnarumma: 172 pontos
Nuno Mendes: 171 pontos
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