Hércules Meneses: O Longo Jejum Italiano na Champions                                                                       

O Longo Jejum Italiano na Champions

 

O Jejum Prolongado

A Série A se encontra à beira de um marco indesejado na história do futebol europeu. Com a Liga dos Campeões de 2025/26 se iniciando, o campeonato italiano pode completar 16 anos sem um título continental, igualando o período sombrio entre 1969 e 1985. A última vez que uma equipe italiana levantou a "taça de orelhas grandes" foi em maio de 2010, com o lendário Triplete da Inter de Milão sob o comando de José Mourinho.



O Contraste Histórico (Anos 80 vs. Atualidade)

A análise do atual jejum em comparação com o hiato de 16 anos (1969-1985) revela diferenças cruciais. Naquela época, o torneio era a antiga Copa dos Campeões, com menos participantes por país, e a competição se concentrava em potências de seleções, como os times balcânicos da Iugoslávia. Contudo, as finais perdidas pela Inter (1972), Juventus (1973, 1983) e Roma (1984) sinalizavam um movimento de crescimento exponencial do futebol italiano.

Impulsionada pela Copa do Mundo de 1982 e pela reabertura para jogadores estrangeiros, a Itália viu um boom de investimentos de empresários visionários. Nomes como Berlusconi (Milan), Agnelli (Juventus), Pellegrini (Inter), Ferlaino (Napoli) e Viola (Roma) investiram fortunas, contratando estrelas como Platini, Boniek, Rummenigge e Maradona. Essa era de mecenato deu origem ao domínio italiano nos anos 90 e 2000, com a Serie A se tornando a liga mais forte do mundo.


A Fatura da Insustentabilidade

O cenário atual, porém, é o "pagamento da conta" daquela época de mecenato desenfreado. O investimento era movido por ambição e imagem industrial, muitas vezes sem preocupação com a sustentabilidade econômica. Os clubes se tornaram "gigantes com pés de barro", dependentes da capacidade ilimitada de seus proprietários cobrirem perdas. A saída das grandes dinastias industriais italianas (Moratti, Berlusconi, Sensi) deixou um vácuo de poder e dívidas.

O presidente da Inter, Giuseppe Marotta, resume a nova realidade: a chegada de propriedades americanas e fundos de investimento orientados para o lucro é uma "necessidade". A busca pela sustentabilidade econômica — lucro, retorno sobre o capital e saneamento de contas — restringe a capacidade de investimento na mesma escala que potências estrangeiras, como os clubes ingleses, que "gastam e esbanjam" com mais liberdade.


O Vexame da Infraestrutura

A crise não se limita às finanças. O problema de infraestrutura representa o maior calcanhar de Aquiles do futebol italiano. A UEFA ter retirado a Final da Liga dos Campeões 2026/27 do San Siro para entregá-la ao Riyadh Air Metropolitano, do Atlético de Madrid, é um sintoma alarmante. A impossibilidade de garantir a ausência de obras no estádio milanês durante o evento ilustra a obsolescência das arenas italianas.

Madri, por sua vez, projeta um impacto econômico direto de 60 milhões de euros com o evento, além de atrair 100 mil visitantes. Essa perda de receita para a Itália é a prova de que a falta de estádios modernos — que são, acima de tudo, infraestruturas necessárias para gerar receita constante — impede os clubes italianos de competir em um nível global de capitalização. Enquanto a nova era do futebol exige autossuficiência e modernização, a Série A segue em um plano de sacrifícios que, ao que tudo indica, fará com que o jejum de títulos na Champions League se prolongue, selando um novo e amargo recorde negativo.


O futebol italiano, que outrora figurava entre os protagonistas do cenário internacional, hoje ocupa o papel de coadjuvante. Resta torcer para que, com o passar do tempo, não se transforme em mero figurante — patamar em que antigas potências do esporte já se encontram no cenário atual.


La Serie A rischia di eguagliare il record negativo di 16 anni senza vincere la Champions League (ultima vittoria: Inter 2010). A differenza del digiuno 1969-1985, l'attuale crisi è strutturale, segnata dalla fine del mecenatismo e dalla necessità di sostenibilità economica. La perdita della finale Champions 2026/27 a Milano, a causa dell'obsolescenza degli stadi, evidenzia l'urgente bisogno di investimenti in infrastrutture per competere con l'Europa.

Il calcio italiano, un tempo protagonista assoluto sulla scena internazionale, oggi recita un ruolo da comprimario. La speranza è che, col passare del tempo, non scivoli ulteriormente fino a diventare un semplice figurante, destino già toccato a ex potenze del passato.

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