Hércules Meneses: O Vazio da Champions: O Que o Novo Jejum de Títulos da Série A Italiana Revela sobre o Futebol do País                                                                       

O Vazio da Champions: O Que o Novo Jejum de Títulos da Série A Italiana Revela sobre o Futebol do País

 


A Série A está prestes a alcançar uma marca que ninguém quer comemorar. Se nenhuma equipe italiana erguer o troféu da Champions League em 2026, a liga completará 16 anos sem uma conquista continental, igualando o seu pior período. Este recorde indesejado não é apenas um sinal de fracasso em campo, mas um reflexo de uma profunda mudança no modelo de negócios do futebol italiano. A crise da Série A não é apenas tática, é estrutural.




A última vez que o futebol italiano viveu um jejum tão prolongado, nos anos 70 e 80, o cenário era completamente diferente. A falta de títulos europeus, na época, era a calmaria antes da tempestade. Em seguida, veio a era dos magnatas: Berlusconi, Moratti, Pellegrini e Ferlaino. Impulsionados pela glória da seleção na Copa de 82, esses empresários injetaram dinheiro sem limites, transformando seus clubes em potências. Eram os anos onde a ambição esportiva superava qualquer lógica financeira.

Hoje, essa era acabou. Os clubes italianos são forçados a seguir a rota da sustentabilidade financeira, muitas vezes com o apoio de fundos de investimento estrangeiros. Esses novos proprietários não estão aqui por paixão cega, mas por lucro. O resultado? As equipes da Série A não podem mais competir financeiramente com os gigantes da Premier League, que esbanjam dinheiro em transferências. Esse modelo, pragmático e necessário, é a consequência do caos financeiro do passado e explica por que a Juventus e a Inter perderam as últimas finais da Champions.

E a cereja amarga do bolo é a crise de infraestrutura na Itália. A perda da final da Champions 2026/27, que seria em Milão e foi para Madri, é um tapa na cara. A decisão da UEFA foi direta: San Siro não tem garantias de modernização. A inércia italiana custou 60 milhões de euros em receita direta para Milão. A lição é clara: sem estádios modernos na Série A, não há futuro. A luta pelo topo da Europa não se vence apenas em campo, mas também fora dele, com gestão, visão e infraestrutura à altura do desafio.

Para piorar o cenário, as expectativas são baixas para que algum clube italiano consiga levantar o troféu da UEFA Champions League nas temporadas 2025/2026 e 2026/2027. Ainda assim, a torcida segue firme e apaixonada, apoiando os times italianos e acreditando que, mesmo contra todas as probabilidades, a glória europeia pode voltar para a Itália.

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