Mas as jovens italianas tinham um plano e, acima de tudo, tinham Copelli.
O relógio marcava o minuto de acréscimo do primeiro tempo quando a magia aconteceu. Uma recuperação de bola rápida no meio-campo, a bola chega aos pés de Copelli, que não pensou duas vezes. Ela desenhou uma trajetória perfeita, um chute do limite da área que fura a defesa e vai beijar a rede: 1 a 0 Itália! O gol veio como um suspiro de alívio e um grito de guerra, quebrando a tensão e injetando confiança no vestiário.
Na volta do intervalo, a Nigéria ameaçou, mas o VAR foi o fiel escudeiro, anulando um gol duvidoso. E a resposta italiana foi imediata e fatal. A capitã Caterina Venturelli fez um daqueles lances que ficam na memória: um cruzamento de 30 metros que ganha vida própria, se transforma em míssil e entra no gol para o 2 a 0. Três minutos depois, a obra-prima: Robino, a MVP da partida, bateu uma falta com a delicadeza de um pincel, fazendo a bola beijar a trave interna e estufar o gol. 3 a 0.
A alegria da goleada, com o 4 a 0 de Giudici selando a Vitória Histórica, foi, no entanto, misturada com uma ponta de drama. Nos minutos finais, a capitã Venturelli caiu no gramado, atingida no septo nasal. O sorriso do triunfo se uniu à preocupação sincera.
No centro do campo, sob as luzes, a treinadora Viviana Schiavi uniu a equipe em um círculo, o tradicional abraço das Jovens Azzurras. Era um momento de celebração e cumplicidade. "Vocês perceberam que estão entre as oito melhores equipes do mundo?", perguntou Schiavi, não como uma pergunta, mas como uma afirmação da força desse grupo. A resposta estava no placar e no brilho nos olhos das jovens, que esperam que esta Emoção nas Quartas de Final seja apenas o começo de uma jornada ainda mais lendária.
Amistoso: Itália perde e deixa dúvidas sobre a evolução sob Soncin
O embate da Seleção Italiana Feminina contra o Brasil, campeão da Copa América, serviu como um termômetro crucial para o trabalho de Andrea Soncin e a evolução das Azzurre em 2025. A derrota por 1 a 0, após o empate com o Japão. Esse revés no placar pode ser visto como uma vitória em termos de avaliação e testes para o ciclo que culminará nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026?
Para alguns, a principal força da equipe foi a organização tática no 3-5-2. Mesmo com seis alterações estratégicas e a introdução de jogadoras com menos minutos em campo – como a volta de Durante ao gol após mais de dois anos –, o time demonstrou uma coesão defensiva e de meio-campo notável, especialmente na primeira etapa.
O setor central, impulsionado pelo dinamismo incansável de Greggi e a capacidade de distribuição de Schatzer, conseguiu dominar longos períodos do confronto. Essa superioridade na posse e no controle de ritmo contra uma adversária de elite é um ponto forte que deve ser explorado.
Individualmente, a estrela Sofia Cantore é um trunfo no ataque, todavia, não balançou as redes. Sua velocidade e técnica foram o maior perigo italiano antes do intervalo, com um chute colocado que exigiu intervenção da goleira brasileira. Sua atuação em campo aberto no segundo tempo, criando espaços e sprints, sublinha o seu potencial como principal arma ofensiva da equipe de Soncin.
Além disso, a resiliência do elenco foi posta à prova logo cedo com a lesão muscular de Soffia, que forçou uma substituição precoce. A entrada de Bergamaschi não desorganizou a estrutura inicial, um sinal de que o plano tático estava bem assimilado por todo o grupo.
No entanto, o ponto fraco mais evidente foi a baixa eficácia ofensiva. O controle do meio-campo e a organização tática não se traduziram em chances claras de gol. A equipe teve dificuldades em transformar a posse em penetração e em ocupar a área brasileira com sucesso, falhando no "último passe" crucial.
A falha defensiva no lance do gol brasileiro (um cruzamento simples finalizado por Luany) é uma preocupação. Em jogos de alto nível, um momento de desatenção tática custa o resultado, e a cobertura do centro da área precisa ser mais vigilante.
Apesar de Soncin ter tentado o empate com uma formação superofensiva no final, introduzindo nomes como Girelli e Bonansea, a defesa brasileira se manteve coesa. O ataque italiano, repleto de estrelas, não conseguiu furar o bloqueio, evidenciando que é necessário refinar as soluções ofensivas contra adversários que se fecham de forma eficaz. A turnê nos Estados Unidos contra a poderosa Seleção Americana será o próximo teste decisivo para corrigir estas fraquezas antes da etapa crucial das Eliminatórias para o Mundial de 2026.
Em suma, mais uma vez, a Seleção Italiana Feminina decepcionou seus torcedores ao não conseguir vencer o Brasil, mesmo jogando em casa, em Parma. O revés reforça a sensação de estagnação de um projeto que, após o desempenho surpreendente no Europeu disputado na Suíça, parecia apontar para um novo ciclo de crescimento. No entanto, com o elenco atual, é difícil imaginar uma campanha expressiva na Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada justamente em solo brasileiro. A vitória sobre a seleção verde e amarela seria o sinal mais claro de uma evolução concreta no trabalho de Andrea Soncin — algo que, até o momento, não se confirma em campo. Diante desse cenário, a esperança italiana recai sobre a nova geração: a Seleção Sub-17, que vem encantando no Mundial da categoria com 100% de aproveitamento e atuações dominantes, como a goleada sobre a Nigéria nas oitavas. Que essas jovens possam, no futuro, devolver ao futebol feminino italiano o respeito e a competitividade que há muito tempo lhe faltam no cenário internacional.
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