A Queda do Palermo e a Afirmação de um Monza Implacável
O "Barbera" foi palco de um confronto que prometia equilíbrio, mas entregou uma lição tática e técnica: o Monza parece um time de Série A jogando na Série B, enquanto o Palermo de Inzaghi ainda busca uma identidade capaz de sustentar suas ambições. A vitória do Monza por 3 a 0 não foi apenas um resultado, mas uma demonstração de solidez e eficiência.
O grande ponto forte da equipe visitante foi a precisão cirúrgica no ataque, especialmente nos contra-ataques. A jogada do primeiro gol, com o lançamento perfeito de Obiang para a velocidade letal de Dany Mota, é um manual de como explorar a desatenção defensiva adversária. Mota, aliás, foi um destaque, combinando habilidade e objetividade. O Monza demonstrou maturidade para administrar o ímpeto inicial do Palermo e atacar nos momentos cruciais. A defesa brianzola também merece menção, sendo gagliarda e eficaz em anular qualquer tentativa de reação rosanero.
Por outro outro lado, a equipe da casa apresentou falhas graves e recorrentes, que se configuram como os pontos fracos sob o comando de Inzaghi. A principal delas foi a gritante desorganização defensiva, especialmente na transição. O gol de Dany Mota nasceu de uma falha de comunicação e posicionamento com a defesa postada, o que é inaceitável em um jogo de alto nível. A incompreensão entre Pierozzi e Gomes que quase gerou um gol no primeiro tempo e a desatenção na reposição de bola que gerou o primeiro gol do Monza são exemplos claros de falta de concentração e entrosamento.
No setor ofensivo, o Palermo demonstrou volatilidade. Foi agressivo nos primeiros minutos, mas não soube transformar o volume em gols, falhando em ser "letal" perto da área. A reação no segundo tempo foi nula e atordoada, sem a capacidade de articular jogadas de perigo que pudessem ameaçar a defesa adversária, exceto pelo chute isolado de Brunori no final.
Em suma, a partida reafirmou o Monza como um sério candidato ao acesso, com um time coeso, rápido e eficiente. Para o Palermo, o revés não é apenas uma derrota por 3 a 0, mas um sinal de alerta de que o time ainda está perdido taticamente e precisa de uma mudança drástica de postura e organização se quiser cumprir o objetivo de retornar à Serie A. A pressão sobre o técnico Inzaghi aumenta consideravelmente.
Reggiana Derruba o Líder Modena
O ar no Mapei Stadium era elétrico, carregado pela rivalidade ancestral entre Reggiana e Modena. Este não era um jogo comum; era o derby, o confronto que mobiliza a Emília-Romanha e decide a moral de uma temporada. E, para o delírio da torcida granata, a Reggiana fez história, impondo a primeira derrota ao líder invicto da Série B, o Modena.
O jogo começou com o coração na mão para os donos da casa. O Modena, com sua reputação de líder, quase abriu o placar em uma jogada de cinema, que terminou com o chute de Sersanti raspando a trave. Mas o futebol, em sua essência, premia a garra e a inteligência. E foi com esses atributos que a Reggiana deu o bote.
Aos 17 minutos, o estádio explodiu em euforia. Uma cobrança de falta que parecia inofensiva se transformou em ouro. A bola, cruzada e prolongada, encontrou Bozzolan completamente livre na segunda trave. Seu chute de primeira, forte e indefensável, venceu o goleiro Chichizola. Foi o gol da vitória, um momento de puro êxtase para os granata, que viram no lance a recompensa por um esforço coletivo colossal.
O segundo tempo foi um teste de nervos. O Modena se lançou ao ataque, cercando a área da Reggiana em busca do empate. A equipe de Reggio Emilia, no entanto, se transformou em um paredão. Cada dividida era disputada como uma final, cada chute era bloqueado. O ápice da tensão veio quando Novakovich, no contra-ataque, teve a chance de selar a vitória, mas mandou a bola por cima do travessão, para o alívio momentâneo da torcida do Modena.
No apito final, a festa no Mapei Stadium era indescritível. Jogadores da Reggiana abraçavam-se, exaustos, mas vitoriosos, diante de uma torcida em êxtase. O Modena amargou sua primeira derrota, um revés doloroso no derby, mas que não tira a equipe da liderança. O derby não foi apenas um jogo, foi uma declaração: a Série B está mais viva do que nunca, e a Reggiana provou que, na paixão de um clássico, tudo é possível.
Empoli 1 x 1 Sampdoria: O Ponto Amargo do Não Aproveitamento
O Estádio Castellani foi palco de um confronto que prometia consolidar a ambição da Sampdoria, mas entregou um roteiro de drama, falhas e reviravoltas. O empate em 1 a 1 contra o Empoli acende um sinal de alerta nos corredores blucerchiati e coloca em cheque a capacidade da equipe de transformar domínio tático em vitória. A partida foi um microcosmo das dificuldades que um time com pressão por acesso enfrenta: a incapacidade de "matar" o jogo e a vulnerabilidade em momentos decisivos.
A comissão técnica, liderada por Foti e Gregucci, ousou ao manter o dinamarquês Abildgaard no centro da defesa. Embora o experimento tenha se mostrado funcional no início, garantindo a saída de bola e a contenção no primeiro terço, a lesão do jogador no segundo tempo reforçou a necessidade de alternativas. O primeiro tempo foi de Xadrez tático, com a Sampdoria tentando furar a defesa toscana. O lance do VAR, que anulou corretamente um pênalti para o Empoli, serviu como um presságio da tensão que tomaria conta da partida. As melhores chances da Sampdoria vieram através de bolas paradas, como o chute de Ricci que encontrou em Çuni um finalizador, ainda que sem sucesso. A ineficácia ofensiva, aliás, é um traço que precisa ser analisado.
O momento chave, aquele que deveria ter virado a chave para a Sampdoria, ocorreu aos 64 minutos. Elia, do Empoli, derrubou Cherubini e, já com amarelo, recebeu o inevitável cartão vermelho. A superioridade numérica, que historicamente favorece o time com maior ambição, foi imediatamente anulada por um erro crasso. Aos 76 minutos, em um roteiro que parecia escrito para punir a ineficiência blucerchiata, o Empoli marcou o chamado "gol gollonzo": escanteio, Ghidotti sai mal com os punhos, a bola explode em Popov e morre no fundo da rede. Foi um lance de pura infelicidade para o ucraniano, mas de total responsabilidade para o goleiro da Sampdoria, que falhou em dominar o ar.
A reação, contudo, foi imediata e visceral. Foti agiu rapidamente, promovendo as entradas de Pedrola e Ferri, ainda que o primeiro tenha saído lesionado logo em seguida, reforçando o grave problema de lesões que assola o elenco. O eixo Coda-Barak funcionou perfeitamente, culminando no cruzamento milimétrico para Çuni. O atacante demonstrou oportunismo e a frieza de um centroavante, empatando a partida e acalmando os ânimos. O gol de Çuni, no entanto, foi o último suspiro de objetividade da Sampdoria.
A reta final da partida se transformou em um ataque estéril. A pressão ofensiva não resultou em grandes chances, e o muro defensivo do Empoli, liderado pelo goleiro Fulignati, resistiu bravamente. Fulignati, aliás, foi o nome da partida para o Empoli, garantindo o empate com defesas espetaculares. O caos da partida foi selado nos acréscimos: uma chance de virada para Barak, uma nova falha de Ghidotti no lance de Guarino (salvo pela imperícia do atacante do Empoli), e o segundo cartão vermelho da partida, desta vez para Ferri, da Sampdoria, por um ato de indisciplina.
A história da Sampdoria nas últimas décadas tem sido uma montanha-russa, marcada por altos e baixos, crises financeiras e retornos emocionantes. Este empate contra o Empoli é um reflexo do que a equipe ainda precisa superar: a falta de instinto assassino e o controle emocional em momentos de pressão. Se a ambição é retornar à elite do futebol italiano, a Sampdoria terá que aprender com a amarga lição deste 1 a 1: o talento é vital, mas a eficiência e a disciplina são inegociáveis.
Cesena Supera Carrarese e Afirma Candidatura ao Acesso
O Estádio Orogel Manuzzi testemunhou um momento de viragem para o Cesena. A vitória de 2 a 1 sobre a Carrarese, a primeira em casa na temporada, não foi apenas um resultado positivo, mas uma resposta tática incisiva do técnico Mignani. Desafiando as convenções, o treinador realizou um substancial rodízio, promovendo quatro mudanças cruciais no onze inicial, um movimento que, historicamente, pode minar o entrosamento, mas que, neste caso, legitimou a profundidade e a qualidade do elenco bianconero.
Os novos titulares, notavelmente Bastoni e Diao, foram protagonistas desde os primeiros minutos, injetando vigor e imprevisibilidade no setor ofensivo. Embora Diao tenha demonstrado alguma precipitação ao finalizar de primeira em um lance ensaiado de falta – uma falha comum em jogadores que buscam se afirmar –, sua participação na construção de jogadas foi fundamental. Bastoni exibiu uma visão de jogo acima da média, sendo crucial na criação de oportunidades.
O contexto histórico desta vitória é relevante. O Cesena vinha de resultados inconsistentes em casa, e superar a Carrarese, uma equipe tradicionalmente competitiva, era vital. O gol que abriu o placar aos 33 minutos, de Shpendi, não só quebrou a resistência adversária, mas também solidificou o folclore esportivo do atacante. Com cinco gols em quatro confrontos, Shpendi se consolida como o "carrasco" favorito da Carrarese, uma narrativa que adiciona peso psicológico a qualquer confronto futuro. A precisão na cobrança do pênalti, que ele próprio ajudou a conquistar com um cabeceio para Frabotta, foi a expressão máxima de sua eficiência no momento decisivo.
O segundo tempo viu o melhor momento do Cesena. O gol de Berti, aos 2 minutos da etapa final, foi uma obra de arte de transição e finalização. Diao, recuperando a bola com inteligência e superando o adversário com um drible, serviu Berti, que demonstrou calma e técnica ao girar e chutar no canto para fazer 2 a 0. Este gol de Berti sublinha a excelente gestão de talentos de Mignani, que tem conseguido extrair performance de jovens promissores.
Apesar da excelência na maior parte do jogo, a equipe não pôde evitar o alerta de complacência. Aos 28 minutos do segundo tempo, no primeiro e único chute a gol da Carrarese, o time adversário conseguiu diminuir o placar. A falha de marcação que permitiu o passe para Finotto, completamente desmarcado, é um ponto fraco estrutural que deve ser imediatamente corrigido. A equipe demonstrou falta de frieza cirúrgica ao desperdiçar uma chance de ouro para fazer 3 a 1 nos minutos finais. No entanto, o Cesena resistiu ao assédio final, garantindo uma vitória que afirma o poder do seu elenco e envia uma mensagem clara aos adversários: o caminho para o acesso passa, inevitavelmente, pelo Orogel Manuzzi, que agora pode se tornar um terreno de conquistas.
Pescara e Avellino em Empate 1x1 com Bolas na Trave e Gols de Escanteio
No coração de Abruzzo, o Estádio Adriático pulsou com a intensidade característica da Série B, testemunhando um duelo eletrizante que colocou frente à frente Pescara e Avellino, dois clubes que buscam continuar escrevendo suas histórias na segunda divisão. O placar final de 1 a 1, com gols de bola parada, esconde a verdadeira loucura que foi a partida, um confronto que começou a mil por hora e só desacelerou no apito final.
Aos dois minutos, um cruzamento venenoso encontrou a cabeça de Missori, e o som seco da trave ecoou, negando o gol inaugural do Avellino. A resposta do Pescara foi imediata e fatal: no escanteio seguinte, a defesa biancoverde falhou, e Capellini, com a frieza de um atacante, mandou para o fundo da rede, incendiando o estádio.
Mas este não era um jogo para que um time se contentasse com a vantagem. O Avellino, demonstrando a garra e organização de um time que veio para brigar, reagiu com Valzania, que soltou um míssil de direita, acertando o travessão e devolvendo o pavor aos donos da casa. A pressão do Avellino era tamanha que o empate parecia inevitável. E ele veio, da mesma forma que o gol adversário: em um escanteio. Simic subiu mais alto que todos, testando a bola para o fundo do gol e restabelecendo a igualdade no marcador.
O segundo tempo foi uma verdadeira troca de golpes, com os goleiros Desplanches e Daffara virando protagonistas, salvando suas equipes em lances de perigo de Lescano e Di Nardo. A expectativa aumentou com as substituições, que injetaram sangue novo e velocidade no jogo. O Avellino pressionou no final, com chances claras de Tutino e Biasci.
No último minuto, a adrenalina atingiu o pico: Corazza, do Pescara, teve o gol da vitória nos pés, mas a finalização caprichosa passou raspando. A resposta veio de Palumbo, do Avellino, cujo chute potente foi rebatido. Após cinco minutos de tensão nos acréscimos, o árbitro encerrou o espetáculo. O 1 a 1 foi o veredito de um confronto onde a intensidade superou a técnica e onde a luta por cada ponto se mostrou implacável.
Quatro Gols e um Pesadelo:
A Noite em que a Virtus Entella Viu o Frosinone Deslanchar
O som dos aplausos no Estádio Benito Stirpe ecoava como um lamento para os jogadores da Virtus Entella. O placar de 4 a 0 a favor do Frosinone selou uma noite que começou promissora, mas se transformou em um pesadelo de gols e desorganização para os biancocelesti.
A primeira metade do jogo guardava a ilusão de um embate equilibrado. A dupla Karic e Bariti lutava e criava, testando o goleiro Palmisani e fazendo a torcida em Frosinone respirar aliviada. Mas o futebol, implacável, pune os descuidos. Aos 36 minutos, em um momento de desatenção da defesa lígure, a bola cruzada e o rebote do goleiro Colombi encontraram o oportunismo de Raimondo, que abriu o placar e quebrou a resistência da Entella.
O intervalo trouxe a esperança de uma reação, mas o segundo tempo foi um festival de ineficiência e sofrimento. O golpe fatal veio aos 58 minutos. Após uma bola na trave de Ghedjemis, o atacante Bracaglia estava lá, no lugar certo, para aproveitar o rebote e fazer 2 a 0. Foi o momento da ruptura.
A partir dali, o Entella, desorientado, viu o Frosinone se transformar em uma máquina de gols. A defesa perdeu a linha, o meio-campo não conseguia mais cobrir os espaços, e o ataque se limitava a tentativas frustradas. Aos 77 minutos, Zilli aproveitou mais um rebote, e o 3 a 0 já tinha o cheiro de goleada.
O golpe final veio como uma punhalada: Koutsoupias, servido por Oyono, fechou o placar em 4 a 0, em um lance que mostrou a beleza da jogada individual do Frosinone contrastando com a desolação tática da Entella. A frustração era visível no rosto dos jogadores de Chiappella, que viram todo o trabalho do primeiro tempo desmoronar em menos de 45 minutos. A volta para casa, na Ligúria, será longa e cheia de reflexão. A palavra de ordem agora é solidez, para que o pesadelo de Frosinone não se repita.
A Infiltração da Camorra na Juve Stabia Força o Adiamento de Partida na Série B
A Série B italiana, historicamente um celeiro de talentos e paixão intensa, foi sacudida por um evento que transcende o esporte e atinge o cerne da legalidade: o adiamento da partida entre Juve Stabia e Bari, marcada para o Estádio Romeo Menti. A razão para a suspensão não é climática nem técnica, mas sim de ordem judicial e criminal. O clube gialloblù de Castellammare di Stabia foi colocado sob administração controlada devido a graves e comprovadas infiltrações da Camorra.
A decisão, articulada pelo presidente da Lega B, Paolo Bedin, após recomendação da prefeitura de Nápoles, é uma resposta necessária e dramática a um problema que há décadas assombra a sociedade e o esporte italianos. O inquérito que levou à intervenção judicial revela a extensão do controle exercido pelo clã D'Alessandro na gestão do clube. Esta não é a primeira vez que o futebol italiano lida com a influência da máfia, mas a profundidade da penetração na Juve Stabia merece atenção.
O contexto histórico da criminalidade organizada na Campânia, e a forma como ela se insere em estruturas empresariais e sociais, ajuda a entender a gravidade da situação. Os autos judiciais são explícitos ao detalhar um "profundo condicionamento" na gestão dos serviços cruciais do time: desde a segurança e bilheteria – fontes diretas de receita e controle de acesso – até a administração de bares, limpeza e serviço de ambulância. O mais perturbador é o controle estendido ao setor juvenil, comprometendo o futuro e a formação de jovens atletas. O clube, transformado em uma ferramenta para negócios ilícitos e lavagem de dinheiro, perde sua função social e esportiva, tornando-se um parasita da Camorra.
A intervenção da Liga e a instauração da administração controlada são os primeiros passos para uma descontaminação institucional. A experiência da Itália com a máfia no futebol é vasta; clubes já foram penalizados, rebaixados ou dissolvidos por fraude esportiva (como o Calciopoli) ou por ligação direta com o crime organizado. O caso Juve Stabia, no entanto, é um lembrete contundente de que a Camorra continua a ver no futebol um campo fértil para sua atuação, seja para fins de visibilidade, controle territorial ou enriquecimento.
Para o campeonato da Série B, o adiamento cria um desequilíbrio no calendário e uma nuvem de incerteza sobre a continuidade das atividades do clube. Mais importante, porém, é o preço moral. O futebol, com sua enorme capacidade de mobilizar paixões e recursos, não pode ser refém do crime. O caso Juve Stabia exige uma reforma sistêmica na governança esportiva, impondo mecanismos de monitoramento financeiro e administrativo que previnam futuras infiltrações, garantindo que o mérito esportivo seja a única regra válida no campo. A integridade da competição está em jogo, e a resposta das autoridades italianas será um termômetro para a saúde do seu futebol.
La Lega B ha rinviato la partita Juve Stabia-Bari (10ª giornata) a causa della decisione di mettere il club gialloblù in amministrazione controllata. L'inchiesta giudiziaria ha rivelato una profonda infiltrazione del clan D'Alessandro della Camorra nella gestione di servizi chiave del club, inclusi sicurezza e settore giovanile.
Como um Erro Grosseiro Moldou o Empate Histórico do Padova
O segundo confronto no meio de semana da Série B 2025/2026 proporcionou mais um capítulo eletrizante, desta vez com o embate entre Spezia e Padova. O resultado final de 1 a 1 para os biancoscudati não apenas adiciona um ponto precioso à sua campanha, mas também serve como um estudo de caso sobre como a sorte e a falha adversária podem ser tão decisivas quanto a estratégia tática no futebol moderno. A Intervenção do goleiro Fortin e a atuação azarada do arqueiro Sarr, do Spezia, foram os pontos cruciais desta peleja.
A Inter de Milão de Chivu havia enviado um recado na abertura do campeonato, mas o Padova demonstrou que na Série B, a sobrevivência e a consistência são igualmente importantes. O técnico Andreoletti, optando por um rodízio de cinco jogadores para gerir o desgaste do calendário apertado, viu sua equipe iniciar o jogo com organização, mas sem o brilho necessário para controlar o ímpeto dos anfitriões. A estratégia inicial de contenção, embora funcional em teoria, ruiu aos 16 minutos.
O gol do Spezia, assinado por Lapadula, expôs uma vulnerabilidade defensiva que a equipe de Andreoletti precisará corrigir: a falha na marcação individual. Lapadula, com seu instinto de artilheiro, superou Belli em uma disputa aérea crucial, capitalizando o cruzamento preciso de Di Serio. A resposta do Padova foi aquém do esperado. A inércia no meio-campo, onde Crisetig e seus companheiros não conseguiram elevar a intensidade da manobra ofensiva, quase custou o segundo gol, evitado apenas pela segurança do goleiro Fortin, que se destacou como um dos melhores em campo, garantindo a permanência do time no jogo.
A narrativa do confronto, no entanto, foi drasticamente alterada na segunda etapa. O Padova, apesar de demonstrar baixa lucidez na criação de jogadas, viu o destino intervir de forma inusitada. Aos 21 minutos, o goleiro Sarr, do Spezia, protagonizou uma falha que já se inscreve no folclore da Série B: ao se demorar excessivamente com a bola nos pés, o chute do arqueiro acertou em cheio o atacante Lasagna, que pressionava incessantemente. A carambola resultante deu a Lasagna seu primeiro, e incrivelmente sortudo, gol pelo clube, simbolizando a máxima de que a pressão constante, mesmo em momentos de desvantagem, pode ser recompensada.
O empate fortuito revigorou o Padova, que, a partir de então, concentrou seus esforços na defesa do ponto conquistado. A organização defensiva, com Fortin em grande fase, resistiu bravamente às investidas finais do Spezia. O ponto alto da noite, apesar do gol bizarro, foi a resiliência emocional da equipe em manter a igualdade sob pressão.
O lance final do jogo, com a inacreditável falha de Di Maggio ao chutar o ar em uma posição clara de gol, serve como um epílogo irônico. Embora o ponto seja merecido pela luta, o desperdício da chance de uma vitória heróica ressalta a necessidade de mais agressividade e precisão ofensiva. O empate, portanto, é "de ouro" pelo contexto, mas a análise tática sugere que a Inter de Milão e outros rivais devem ter notado as áreas que o Padova ainda precisa desenvolver para se consolidar entre os líderes da Série B.
Crise Institucional no Mantova Atinge o Ponto Crítico Após Derrota para o Catanzaro
O Estádio Danilo Martelli presenciou mais um capítulo da dolorosa crise que assola o Mantova. A derrota por 3 a 1 para o Catanzaro, após estar em vantagem, não foi apenas um revés tático, mas um prenúncio do provável fim da era Davide Possanzini e um reflexo do desespero que se instalou no vestiário e nas arquibancadas. O placar final esconde a injeção inicial de ânimo trazida pelo gol precoce, mas expõe a fragilidade mental e defensiva de uma equipe que desmoronou sob pressão.
O ponto forte inicial do Mantova foi a capacidade de resposta imediata à pressão. A equipe iniciou o jogo com um 4-3-3 agressivo, e o gol de Mancuso aos 7 minutos, um lance de puro instinto, acalmou os ânimos e deu a falsa impressão de que a redenção seria possível. Essa reação demonstra que o elenco ainda possui lampejos de qualidade técnica e individual, capazes de traduzir em gols o volume de jogo. A postura inicial, buscando o ataque e pressionando a saída de bola do Catanzaro, foi a tônica que o técnico Possanzini tanto cobrou, mas que se esvaiu rapidamente.
No entanto, a lista de pontos fracos é alarmante e excede a mera análise de campo. A principal deficiência é a fragilidade psicológica do elenco. Após o bom início, o Mantova recuou e permitiu que o Catanzaro tomasse as rédeas do jogo. A trave salva a equipe no primeiro tempo, mas o segundo tempo foi um colapso completo. A incapacidade de gerenciar a vantagem, especialmente em um "momento crucial" onde a vitória era obrigatória, aponta para uma falta crônica de liderança em campo e de preparação mental adequada.
A desorganização tática de Davide Possanzini se tornou o alvo principal da crítica. As substituições, quando ocorreram, não conseguiram estabilizar a defesa nem dar novo fôlego ao ataque. Pior: a entrada de Majer no minuto 63 resultou em um inacreditável gol contra aos 69 minutos, um lance que simboliza o atual estado de azar e descontrole do time. Essa falha individual, em um cruzamento inofensivo, quebrou a equipe e abriu as portas para a virada do Catanzaro.
A defesa, em particular, mostrou-se permeável e sem coordenação. O gol de Cisse, um belo chute colocado, evidenciou a liberdade dada ao atacante na intermediária, e o terceiro gol, com assistência involuntária de Trimboli, confirmou o pânico que tomou conta dos biancorossi nos minutos finais. Manter uma defesa sólida e coesa, especialmente em transições e jogadas laterais, é o mínimo esperado de um time que luta contra uma seca de vitórias de dois meses.
O descontentamento da torcida atingiu níveis perigosos. A faixa na curva Te ("É hora de mudar de rumo, queremos gente que lute") e os protestos furiosos no minuto 78, que exigiram a intervenção da diretoria, expõem a ruptura entre o elenco e os tifosi. O time falhou em responder ao apelo por "gente que lute", transformando o Martelli, que outrora era um caldeirão, em um palco de vexame e frustração. A saída iminente de Possanzini parece ser uma consequência inevitável, mas o problema do Mantova vai além do técnico, apontando para uma estrutura que precisa de uma reformulação urgente.
Noite de Gala em Veneza
As luzes do Estádio Pierluigi Penzo brilharam intensamente na noite de quarta-feira, e o motivo foi a atuação de gala do Venezia FC. Em um jogo que se tornou uma verdadeira exibição de força, os lagunari aplicaram um dominante 3 a 0 sobre o Südtirol, reacendendo a chama do sonho do acesso na Serie B. A vitória categórica não foi apenas um resultado, mas um espetáculo de tática e emoção, onde um nome se destacou acima de todos: Pérez.
Desde o primeiro minuto, o Venezia impôs seu ritmo. A bola parecia obedecer ao comando dos arancioneroverdi, que teciam jogadas rápidas e envolventes. Aos 39 minutos, o silêncio da noite foi quebrado pelo grito de gol. O talentoso Pérez, com uma visão de jogo apurada, serviu Issa Doumbia na área, que não perdoou, abrindo o placar e levando a torcida ao delírio.
Mas o auge da emoção viria logo antes do intervalo. Nos acréscimos do primeiro tempo, Pérez, o mesmo que havia dado a assistência, decidiu que era hora de ter seu próprio momento de glória. Com uma jogada individual de tirar o fôlego, ele desferiu um tiro a giro – aquele chute colocado e indefensável – que encontrou o ângulo do segundo poste do goleiro adversário. Foi um gol de placa, um momento de puro êxtase no Penzo, que coroou uma primeira etapa perfeita.
O segundo tempo foi uma mera formalidade para o Venezia, que administrou a vantagem com a segurança de um gigante. A festa foi completada aos 67 minutos. E, novamente, com a assinatura de Pérez. Em uma repetição do roteiro, ele serviu Yeboah, que finalizou com precisão, fechando o placar em 3 a 0. A torcida vibrava, celebrando não apenas os três pontos, mas a performance impecável que manteve a meta de Stankovic inviolada.
Com este resultado, o Venezia ascende ao quinto lugar na tabela, empatado com o Palermo, mas embalado por uma energia renovada. O show de Pérez, com um gol e duas assistências, não é apenas um registro estatístico, mas a promessa de que o Venezia está jogando um futebol digno de brigar pelo retorno à Série A. A noite de gala em Veneza foi um poderoso lembrete de que o caminho para a elite italiana passa, inevitavelmente, pelo talento e paixão dos lagunari.
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