A histórica disputa pelo futuro do Estádio Flaminio ganhou um novo e crucial capítulo. Após exaustivas análises jurídicas conduzidas pelos advogados da Prefeitura de Roma (Campidoglio), o prefeito Roberto Gualtieri recebeu um parecer definitivo que delineia as vias possíveis para a revitalização da emblemática arena da capital italiana. O documento, obtido pela imprensa local, confirma uma potencial cessão do Estádio Flaminio à Lazio, validando as recentes intenções do presidente do clube, Claudio Lotito.
A Estratégia de Lotito: Abandono de Pietralata e Foco no Direito de Superfície
Lotito parece ter mudado sua mira estratégica. Diferente da Roma, que busca desenvolver um novo estádio na área de Pietralata, o líder biancoceleste concentra seus esforços em assumir o Flaminio, seguindo um modelo de gestão e reforma já implementado com sucesso em outros estádios italianos, como em Udine e Milão. Sua preferência recai sobre o instrumento jurídico do Direito de Superfície. Esta modalidade difere substancialmente de uma concessão simples e, embora fosse inicialmente considerada incompatível com os primeiros esboços de viabilidade apresentados à prefeitura, o novo parecer legal afirma sua viabilidade. O Direito de Superfície permitiria à Lazio reformar, modernizar e operar o estádio por um longo período, sem que a municipalidade de Roma perdesse a propriedade definitiva do patrimônio.
Os Obstáculos Cruciais: Tombamento e Burocracia Governamental
Apesar do sinal verde jurídico sobre a modalidade de gestão, o projeto enfrenta dois grandes impedimentos: o tombamento do Flaminio e a complexidade burocrática envolvida. O Flaminio não é um complexo esportivo comum; trata-se de um bem arquitetônico de valor inestimável, concebido pelos renomados arquitetos Pier Luigi e Antonio Nervi para os Jogos Olímpicos de 1960, e por isso é oficialmente protegido. Para que qualquer intervenção significativa de desvinculação do tombamento possa ocorrer, a Prefeitura de Roma precisa formalizar um pedido ao Governo Central, que deve ser acompanhado obrigatoriamente pela aprovação da Superintendência de Bens Culturais. Este processo envolve uma coordenação delicada entre os poderes municipal e estatal.
As Opções Finais na Mesa do Prefeito Gualtieri
Uma vez superada a barreira do tombamento e obtidas as autorizações federais, o caminho se bifurca em duas opções viáveis para a Prefeitura de Roma:
Venda Plena do Estádio: A transferência da propriedade integral do Flaminio para a Lazio, mediante um valor de mercado a ser determinado por órgãos fiscais do governo (Patrimônio do Estado ou Agência das Receitas).
Ativação do Direito de Superfície: A permissão para que o clube laziale invista na reforma e assuma a gestão operacional de longo prazo do estádio, mantendo a titularidade do imóvel com o Município. Esta é a opção preferida por Lotito e validada pelo novo parecer legal.
O Próximo Passo: A Decisão do Campidoglio e o Fator Financeiro
A bola agora está no campo do prefeito Roberto Gualtieri. Cabe à Prefeitura decidir se dará início formal ao complexo procedimento de desvinculação do tombamento do Flaminio. Caso Gualtieri decida prosseguir, a fase seguinte será o crucial diálogo direto com Lotito. Este encontro definirá a profundidade do compromisso financeiro e do plano de reestruturação que a Lazio está disposta a oferecer à cidade.
A concretização do negócio Flaminio é vista como um passo com profundo impacto financeiro para a Lazio. A possibilidade de patrimonializar o estádio — ou seja, inscrever o valor do ativo no balanço do clube — elevaria significativamente o valor da S.S. Lazio. Essa solidez patrimonial a tornaria mais atrativa para eventuais investidores. Embora Lotito historicamente resista à ideia de vender a agremiação, o ativo Flaminio aumentaria consideravelmente o valor de mercado da Lazio, um benefício financeiro indireto inegável.
A Complexa Negociação entre Fiorentina e Prefeitura pelo Estádio Artemio Franchi
A novela da reforma do Estádio Artemio Franchi ganhou mais um capítulo de alta tensão, mas com um sinal vital: o diálogo institucional entre a Fiorentina e a Prefeitura de Florença (Comune di Firenze) não foi rompido. Nos bastidores do Palazzo Vecchio, a nova prefeita, Sara Funaro, respira aliviada com a notícia de que o clube Viola enviará uma carta formal para reabrir a discussão. O objetivo da Fiorentina é claro: entender o futuro do Franchi e garantir que o projeto seja economicamente viável para o clube.
O Fim da Paciência e o Impacto do Atraso no Estádio
Apesar da "amargura e decepção" do presidente Rocco Commisso, o clube italiano sabe que a reforma do Estádio Franchi é crucial para o seu aumento de receitas. O diretor-geral Joe Barone lembrou que a raiz do problema remonta a 2019, quando o projeto de novo estádio foi rejeitado. Agora, o clube enfrenta o constrangimento de saber que a emblemática Curva Fiesole não estará pronta para o centenário da Fiorentina em 2026, com o prazo de entrega do primeiro lote adiado para 2027.
O documento que será entregue não é apenas uma reclamação; é uma cobrança estratégica. A Fiorentina exige respostas concretas sobre os custos e prazos da reforma do Franchi, questionando como o project financing para o segundo lote será sustentável e, crucialmente, qual será a duração da concessão do Estádio Franchi e o modelo de gestão das áreas comerciais. Para o clube, controlar a gestão comercial do estádio é o único caminho para capitalizar o investimento e complementar o projeto do Viola Park.
Fogo Cruzado Político em Florença
Enquanto o clube tenta negociar, o campo político pega fogo. O ex-prefeito Dario Nardella atraiu a ira da diretoria Viola ao se desvencilhar do tema. A reação não demorou: o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi atacou Nardella, tornando o estádio de Florença um tema central na disputa política. A situação exige que a prefeita Funaro encontre uma solução imediata.
A Fiorentina quer ser um "parceiro ativo" no Projeto Franchi. O futuro do clube e a capacidade de competir com os gigantes italianos dependem de um estádio moderno e funcional. A próxima rodada de negociações técnicas será decisiva para o futuro da Fiorentina e para o desfecho da novela que há anos atormenta os tifosi de Florença.
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