O pedido da Federação Italiana de Futebol (Federcalcio) para adiar a 30ª rodada da Serie A, a fim de dar mais tempo de preparação à seleção nacional para os playoffs da Copa do Mundo, é uma jogada desesperada, mas fundamental.
O ponto forte desta iniciativa reside na memória viva do trauma de 2022: a eliminação para a Macedônia do Norte, precedida por um único e insuficiente dia de treino após uma extenuante jornada de campeonato. A Itália não pode se dar ao luxo de reviver aquele cenário, especialmente quando a vaga para o Mundial nos Estados Unidos é vital. A busca por um mínimo de três a quatro dias adicionais de concentração para o técnico Gattuso é uma necessidade tática inegável, dado o peso e o caráter eliminatório dos confrontos de março.
A urgência do pedido, nascida no calor da partida contra Israel, demonstra a seriedade com que a Federcalcio encara o risco. É um reconhecimento implícito de que o tempo de preparação é um fator crítico e diferencial em jogos de vida ou morte.
Contudo, os pontos fracos do pleito são estruturais e logísticos, tornando a solicitação uma missão quase impossível. O calendário do futebol italiano e europeu é o principal algoz.
A complexidade das competições europeias – Champions, Europa e Conference League – é o maior obstáculo. As oitavas de final desses torneios estão agendadas para o período de 17 a 19 de março, tornando qualquer realocação da 30ª rodada uma tarefa hercúlea, pois exigiria a cooperação de múltiplos clubes, a UEFA, e diversas ligas.
A Copa Itália também estrangula as poucas janelas disponíveis. Com quartas de final e semifinais de ida já cravadas entre fevereiro e início de março, a flexibilidade da Lega Serie A é praticamente nula. A repetição do "mesmo problema de sempre" revela uma inflexibilidade crônica no planejamento do futebol italiano, que historicamente prioriza os interesses dos clubes em detrimento da seleção nacional.
Apesar da receptividade de Gravina, a postura de adiar a decisão para fevereiro, quando o destino dos clubes nas copas europeias for conhecido, é um indicativo da hesitação e da dificuldade da Lega em ceder.
Este adiamento tático pode ser interpretado como uma tentativa de passar a responsabilidade para a sorte ou para os resultados dos clubes na Europa, em vez de assumir proativamente uma postura de prioridade à classificação para a Copa do Mundo. No final das contas, o futuro da Azzurra nos playoffs de março pende mais uma vez de um fio, não apenas pelo sorteio em Zurique, mas pela incapacidade de criar um ambiente de preparação adequado.
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