O silêncio tomou conta do vestiário italiano. A promessa de uma nova glória no Mundial Sub-20 desmoronou em uma noite fria no Chile. A Itália, vice-campeã da última edição, foi brutalmente eliminada nas oitavas de final pelos Estados Unidos, em um placar que não surpreende: 3 a 0.
A história desta eliminação trágica começou com uma ironia cruel. Aos 15 minutos do primeiro tempo, quem calou a torcida italiana foi Benjamin Cremaschi, um jogador com sangue italiano, que defende o Parma. Após um escanteio, a defesa italiana vacilou, e Cremaschi empurrou a bola para as redes. Foi o golpe de misericórdia que transformou a confiança americana em avalanche.
"Foi o momento chave," admitiu um dos integrantes da comissão técnica italiana após o jogo. "A trave do Mosconi logo no início nos deu esperança, mas o gol deles mudou o jogo."
A partir dali, o que se viu foi o time de Nunziata lutando contra o próprio nervosismo e a organização tática dos americanos. A Itália em suas poucas tentivas, esbarrava na defesa adversária. Os Estados Unidos, por sua vez, cresciam a cada minuto, com jogadas rápidas e inteligentes. O goleiro Seghetti ainda resistiu bravamente no segundo tempo, fazendo defesas importantes e adiando o inevitável.
Mas o destino já estava selado. Aos 82 minutos, a tragédia ganhou contornos definitivos. Tsakiris, com uma precisão cirúrgica, cobrou uma falta com a canhota, fazendo a bola beijar a rede. Era o 2 a 0, o fim de qualquer ilusão italiana. A frustração era visível no rosto dos jovens jogadores, que caíram em desespero tático após o segundo gol.
Nos acréscimos, como um soco final, Cremaschi não perdoou. Aos 94 minutos, ele marcou seu segundo gol pessoal, o terceiro dos Estados Unidos. O placar de 3 a 0 é um espelho da noite: uma equipe americana que soube ser letal e uma Itália que simplesmente não encontrou respostas, voltando para casa com o peso de uma campanha horrorosa e a sensação de que um sonho foi interrompido muito cedo.
Se, mesmo diante de tamanha derrocada, a FIGC decidir manter Carmine Nunziata no comando, será um ato de puro sadomasoquismo institucional. Não há outra explicação plausível para insistir em um treinador que, repetidamente, demonstra incapacidade de extrair o melhor de uma geração, possivelmente, talentosa. A federação, ao agir assim, parece encontrar prazer em reviver o sofrimento, perpetuando um ciclo de fracassos que já beira o masoquismo esportivo.
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