A gestão de Urbano Cairo à frente do Torino, que se estende por duas décadas, é um paradoxo no futebol italiano. De um lado, o presidente e empresário do grupo RCS MediaGroup oferece uma estabilidade econômica inédita desde os anos 90, blindando o clube de crises e rebaixamentos constantes. Essa solidez é o principal ponto forte de sua gestão, assegurando a permanência na Serie A e protegendo o clube de aventureiros que poderiam levá-lo à falência, como a história recente de outros clubes italianos comprova.
O primeiro ponto a ser destacado é o mérito financeiro de Cairo. Ele saneou as contas, injetou capital nos momentos de necessidade (cerca de €80,7 milhões ao longo de 20 anos) e, através de negociações estratégicas de jogadores (como as vendas de Buongiorno e Bellanova em 2024), conseguiu apresentar um balanço com lucro, algo raríssimo no futebol italiano. Este é um legado inegável, uma base sólida que raramente é reconhecida pelos torcedores em meio à frustração.
Por outro lado, o grande ponto fraco é a mediocridade esportiva que se instalou. O Torino, um clube com um epos e uma história de luta e "tremendismo granata" (o espírito combativo), parece ter tido sua paixão "cloroformizada". O melhor resultado na liga sob Cairo foi apenas um 7º lugar. O clube não conseguiu capitalizar os anos de crise da Juventus para se afirmar, e o desempenho nos derbies é desastroso: apenas 1 vitória em 32 jogos. Isso aponta para uma falha na compreensão e na valorização da identidade granata.
A ambiguidade da venda é outro ponto de análise. Cairo afirma publicamente a falta de ofertas, enquanto o mundo do futebol europeu atrai inúmeros investidores estrangeiros. Isso levanta a crítica de que o preço pedido é excessivo, ou que a gestão do clube, focada mais em plusvalenze (lucro com venda de atletas) do que em títulos, não atrai investidores dispostos a construir um projeto esportivo ambicioso.
A falta de resultados se torna ainda mais crítica quando se considera o potencial inexplorado do "universo Torino". O clube é a segunda força de uma das quatro maiores cidades italianas, possui seu próprio estádio (obsoleto, mas exclusivo) e uma história lendária que pode ser monetizada globalmente. A atual gestão é criticada por não ter aproveitado esse potencial, especialmente nos primeiros anos da crise da Juventus.
Finalmente, a questão imobiliária é um fator decisivo. A liberação do Estádio Grande Torino das hipotecas e o desenvolvimento do novo centro esportivo de Robaldo podem aumentar o valor patrimonial da sociedade em 2026. Este desenvolvimento pode ser a chave para o futuro: ou aumenta o valor para uma venda a um preço justo, ou fortalece o clube para que Cairo o mantenha. Se, mesmo com novas infraestruturas, as ofertas não surgirem, a crise do Torino é muito mais profunda do que apenas o preço.
Urbano Cairo ha confermato la disponibilità a vendere il Torino ma lamenta la mancanza di offerte, pur riconoscendo la stabilità economica garantita in 20 anni. Il club granata soffre di mediocrità sportiva, con scarsi risultati e un bilancio pessimo nei derby contro la Juventus (1 vittoria su 32). Il valore del Torino potrebbe aumentare con lo sviluppo dello Stadio Grande Torino e il completamento del centro sportivo Robaldo, attesi per il 2026.
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