A luz dos refletores europeus está acesa, mas a paixão nos estádios italianos parece ter diminuído. Os números não mentem: em Milão, a Champions League da UEFA, com seu Modelo Suíço, está enfrentando um estranho fenômeno: a crise da emoção.
O San Siro, palco de tantas noites mágicas, tem registrado um público menor nos jogos da fase de grupo único da Liga dos Campeões do que nas partidas do campeonato italiano. A Inter de Milão, potência do futebol europeu, não conseguiu levar mais de 62 mil torcedores contra o Slavia Praga, ficando bem abaixo de sua média habitual na Série A, que ultrapassa os 71 mil. A Juventus, que costuma lotar sua arena, embora tenha tido um bom público contra o Borussia, o fez em um big match de alto calibre, uma exceção à regra geral.
"O jogo não é mais 'mata-mata' logo no começo. Sabemos que os grandes times vão passar, e isso tira aquela adrenalina da fase de grupos," desabafa um torcedor do Milan na entrada do estádio, refletindo o sentimento de muitos. O novo formato da Champions League garante uma "rede de segurança" que permite aos gigantes tropeçar nas primeiras rodadas sem o risco de eliminação precoce. No ano passado, o PSG foi um exemplo vivo disso: um início hesitante que, no formato antigo, custaria a vaga, mas que no Modelo Suíço permitiu uma tranquila classificação para, no final, levantar a taça.
A UEFA percebeu o esvaziamento emocional e agiu. Para a próxima edição, as regras foram sutilmente alteradas para dar mais peso à classificação na fase inicial. As melhores equipes terão a vantagem de jogar em casa os jogos de volta até as semifinais, transformando a disputa pelo topo da tabela em uma verdadeira corrida.
Um clima de preocupação e urgência tomou conta da Convenção ECS de Roma, onde os líderes do futebol italiano se reuniram com a cúpula continental. A pauta era explosiva: o sucesso financeiro estratosférico da Champions League está sufocando a vida e a paixão dos campeonatos locais.
A mensagem, vinda do coração dos clubes de médio e pequeno porte da Serie A, é um grito de alerta. O novo formato da Liga dos Campeões é um monstro de receita, projetando lucros que podem atingir a marca inacreditável de 6 bilhões de euros para o próximo ciclo, sob a gestão de Aleksander Ceferin na UEFA.
Mas para cada bilhão extra que entra nos cofres da UEFA, o medo de uma Liga Italiana empobrecida aumenta. Os presidentes italianos, incluindo o CEO da Serie A, Luigi De Siervo, e o presidente da FIGC, Gabriele Gravina, temem que os broadcasters (emissoras de TV) desloquem seus investimentos dos campeonatos nacionais para a competição europeia.
"A Champions cresce à custa dos nossos torneios," ecoa a preocupação. O caso da Ligue 1, que enfrenta uma crise severa na venda de seus direitos de transmissão, serve como um fantasma para a Itália. Se os 308 milhões de euros de "solidariedade" da UEFA são o preço para acalmar a base, eles são considerados "mínimos" e insuficientes para estancar a sangria financeira.
A tensão é palpável. Se a Superliga (A22) era vista como um inimigo externo que prometia um "sufocamento rápido" aos clubes menores, o novo modelo da UEFA é percebido como um "cerco lento", mas igualmente letal. O fosso financeiro entre os 36 clubes da Champions e os demais da Serie A está se tornando um abismo intransponível.
A alma do futebol italiano, forjada na rivalidade de seus campeonatos domésticos, está em jogo. O futuro da paixão e da competitividade da Serie A depende de um reequilíbrio de poder e, sobretudo, de dinheiro.
Milão perde o encanto nas noites europeias:
público cai na Champions League 2024/25
A nova edição da Champions League trouxe não apenas um formato reformulado, mas também uma queda perceptível no entusiasmo das arquibancadas italianas. Dados recentes revelam uma redução significativa no número de torcedores tanto da Inter quanto do Milan, reforçando a percepção de que o novo modelo “suíço” não conquistou o coração dos fãs.
Na Inter, a queda foi de 3,7%, passando de 69.136 espectadores em média na fase de grupos 2023/24 para 66.597 na atual temporada. Já o Milan registrou uma diminuição muito mais acentuada, de 17,6%, caindo de 72.209 para 59.556 torcedores.
Paralelamente, a Serie A 2024/25 apresenta números superiores aos da competição continental. A Inter tem média de 71.060 torcedores por jogo, enquanto o Milan registra 71.545, superando de forma clara os dados da Champions. O contraste evidencia que o campeonato nacional ainda exerce maior magnetismo sobre o público italiano — alimentado pela tradição, rivalidades históricas e preços mais acessíveis.
Essa inversão de tendência contrasta com o que seria esperado de um “grande palco europeu”. Historicamente, a Champions League é o ápice do prestígio esportivo e da paixão nas arquibancadas. No entanto, o novo formato, menos eliminatório e mais previsível, parece ter reduzido o senso de urgência e o clima de decisão que caracterizavam as antigas noites europeias.
Outro ponto de destaque é a estabilidade da torcida interista, cuja variação entre competições foi pequena — sinal de fidelidade e consistência de apoio. O Milan, por sua vez, enfrenta uma queda abrupta que pode estar ligada a fatores esportivos (como desempenho irregular), econômicos ou até ao calendário mais fragmentado da Champions.
Vale Lembrar:
A A22 está promovendo a ideia de uma “Liga Unificada”, que reuniria 96 clubes divididos em quatro divisões, com sistema de promoção e rebaixamento e foco no mérito esportivo. O projeto busca reconhecimento da Uefa e se apresenta como uma alternativa voltada aos torcedores, oferecendo transmissões gratuitas e mais oportunidades para clubes menores.
Segundo seus idealizadores, Bernd Reichart e Anas Laghrari, a nova liga não pretende substituir as competições nacionais, mas atuar de forma complementar. Contudo, entidades do futebol e ligas nacionais rejeitam a proposta, afirmando que ela pode ameaçar a estrutura tradicional do futebol europeu.
A iniciativa é uma versão reformulada da Superliga, fracassada em 2021 após forte rejeição pública. A A22 retomou o projeto após uma decisão do Tribunal de Justiça Europeu, em 2023, que considerou que a Uefa poderia estar violando as leis de concorrência da União Europeia ao restringir torneios rivais.
A proposta da Unify League, apresentada pela A22 Sports Management, ressurge como a mais recente tentativa de reconfigurar o panorama do futebol europeu. A nova ideia de uma competição com 96 equipes em múltiplos níveis e baseada no mérito parece, à primeira vista, mais democrática. Contudo, a reação instantânea e veemente das Ligas Europeias e da FIFPRO Europa desmascara as fragilidades intrínsecas e a ameaça existencial que tal projeto representa para a estrutura atual do esporte.
O ponto forte da Unify League, pelo menos em teoria e amparada por uma decisão judicial europeia, é a legalidade e o princípio de qualificação meritocrática. Ao incluir 96 clubes de até 55 nações, o projeto busca mitigar a crítica elitista que derrubou a Superliga. Essa abordagem legal e inclusiva é a única base sólida que a A22 conseguiu construir. No entanto, é aqui que os aspectos positivos do projeto terminam e começam as críticas.
O principal ponto fraco é o "calendário já congestionado". A proposta da A22, embora não detalhada em termos de datas exatas, é prontamente rejeitada por ligas como a Premier League e a Serie A, justamente por prometer um aumento no número de partidas internacionais. Essa expansão de calendário é a crítica central e irrefutável dos stakeholders do futebol profissional. Para as Ligas Europeias, a integridade e a viabilidade econômica das competições nacionais — a espinha dorsal do futebol — estão em risco. A ideia de "reduzir o número de clubes nacionais" para acomodar jogos da Unify League foi categoricamente rejeitada.
O segundo grande ponto fraco é a falta de apoio e de consulta prévia. O fato de as Ligas Europeias e a FIFPRO negarem qualquer diálogo formal com a A22 antes do anúncio oficial destrói a credibilidade do projeto como uma iniciativa colaborativa. A recusa em participar de discussões mostra que a A22 tenta novamente impor uma mudança em vez de negociá-la. A exigência de um "acordo formal" das ligas e dos jogadores antes de qualquer aprovação da FIFA/UEFA coloca um obstáculo praticamente intransponível para a Unify League.
Em última análise, a nova proposta, apesar de reformulada para ser "meritocrática", repete o erro fundamental de seu predecessor: ela tenta minar a autoridade das ligas nacionais. Ao fazer isso, ela se depara com um muro sólido de oposição que representa mais de 1130 clubes. A força coletiva do futebol nacional europeu é o verdadeiro gigante que se levanta contra a Unify League, provando que o poder de decisão sobre o futuro do esporte ainda reside na base da pirâmide e nos sindicatos dos atletas. O projeto da A22 pode ser legal, mas politicamente e esportivamente, parece natimorto.
Caminhos para a A22: como transformar a Unify League em uma solução e não em uma ameaça ao futebol europeu
A tentativa da A22 Sports Management de relançar uma “Liga Unificada” com 96 clubes divididos em quatro divisões reacendeu o debate sobre o futuro do futebol europeu. O projeto, apresentado como uma alternativa meritocrática às competições da UEFA, busca democratizar o acesso, oferecer transmissões gratuitas e novas fontes de receita para clubes menores. Contudo, enfrenta forte resistência das ligas nacionais e das entidades representativas dos jogadores, que veem na proposta uma ameaça à estrutura tradicional do esporte.
Para que a iniciativa não repita o fracasso da Superliga de 2021, a A22 precisa reformular sua abordagem e focar em soluções que complementem — e não substituam — o ecossistema existente. Uma das alternativas mais viáveis seria limitar a participação da Unify League a clubes que não disputam a Champions League, a Europa League ou a Conference League. Essa medida permitiria incluir equipes que têm calendários menos sobrecarregados e menor poder financeiro, criando uma plataforma de visibilidade e receitas sem interferir diretamente nos torneios da UEFA.
O torneio poderia ser realizado paralelamente às competições europeias tradicionais, aproveitando as mesmas datas e evitando conflitos de calendário. Isso transformaria a Unify League em uma “competição de oportunidade” — uma vitrine para clubes emergentes e um canal adicional de entretenimento para torcedores que desejam acompanhar jogos de outras divisões do continente. Ao mesmo tempo, reduziria a desigualdade econômica entre os grandes e médios clubes da Europa, criando um ambiente de crescimento sustentável.
Outra proposta interessante seria ressuscitar o espírito da antiga Copa Mitropa, torneio que reunia campeões das segundas divisões nacionais europeias. Um formato de copa de tiro curto, disputada entre os vencedores e vice-campeões das divisões inferiores, poderia gerar prestígio esportivo, equilíbrio técnico e oportunidades financeiras para clubes que raramente figuram nas grandes vitrines do futebol continental.
Além disso, a A22 deveria estabelecer diálogo aberto e contínuo com as federações e sindicatos de jogadores, buscando um modelo que respeite as bases do futebol nacional. Sem essa interlocução, o projeto continuará a ser visto como uma imposição corporativa, e não como uma iniciativa de valorização do esporte.
Em suma, o sucesso da Unify League depende de uma mudança de mentalidade dentro da própria A22. O caminho não é desafiar a UEFA, mas preencher as lacunas que ela ainda não cobre. Se for capaz de criar um torneio inclusivo, financeiramente equilibrado e esportivamente viável, a A22 pode, enfim, transformar uma ideia polêmica em um marco de renovação para o futebol europeu.
La luce dei riflettori europei è accesa, ma la passione negli stadi italiani sembra affievolita. In Italia, anche in città simbolo come Milano, la nuova Champions League con il formato “svizzero” registra un calo di entusiasmo: San Siro ospita meno pubblico nelle partite europee rispetto al campionato di Serie A. Il motivo principale è la perdita del fattore emozionale: la fase a girone unico, che riduce il rischio di eliminazioni precoci, ha reso le prime giornate prevedibili e meno intense.
La UEFA, consapevole del problema, ha introdotto modifiche per valorizzare la posizione in classifica, offrendo vantaggi sportivi alle squadre migliori. Tuttavia, la questione più urgente è economica. Alla Convenzione ECS di Roma, i dirigenti italiani hanno espresso forte preoccupazione: i profitti record della Champions — stimati in 6 miliardi di euro — stanno impoverendo i tornei nazionali. Presidenti come Luigi De Siervo (Serie A) e Gabriele Gravina (FIGC) temono che gli investimenti televisivi si spostino sempre più verso le competizioni UEFA, riducendo le entrate dei club italiani medi e piccoli.
La Serie A teme di seguire l’esempio della Ligue 1 francese, in crisi di diritti televisivi, mentre i fondi di solidarietà della UEFA sono considerati insufficienti. Così, il nuovo modello europeo appare come un “assedio lento” al calcio nazionale, ampliando il divario tra i club d’élite e il resto del movimento.
In questo scenario, la proposta della A22 Sports Management con la Unify League — una competizione con 96 squadre divise in quattro categorie — emerge come un possibile contrappeso. L’obiettivo è offrire spazio e risorse ai club esclusi dalle grandi competizioni europee, con partite trasmesse gratuitamente e un sistema basato sul merito. Tuttavia, la A22 deve evitare gli errori del passato e cercare collaborazione con leghe e federazioni, proponendo un torneo parallelo e complementare alla UEFA, magari ispirato alla storica Coppa Mitropa.
Il futuro del calcio europeo, e in particolare della passione italiana, dipenderà dalla capacità di riequilibrare potere e risorse tra élite e base. Se la A22 riuscirà a costruire un modello inclusivo e sostenibile, la sua Unify League potrebbe trasformarsi da minaccia in opportunità per ridare vita al cuore del calcio.
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